Sábado, 08/08/26

Governo do Rio pede falência da Refit na Justiça por dívida bilionária

Governo do Rio pede falência da Refit na Justiça por dívida bilionária
Governo do Rio pede falência da Refit na Justiça por – Reprodução

O governo do Rio de Janeiro pediu que a Justiça converta a recuperação judicial do grupo Fit, controlador da Refit, em falência. Redução de receitas, dívida tributária bilionária e custo alto de operação estão entre os motivos do pedido feito na quarta-feira (5).

Segundo a manifestação da PGE (Procuradoria-Geral do Estado) fluminense, a Refit perdeu viabilidade econômica e, portanto, não há por que manter a recuperação iniciada há dez anos. Apontado como maior devedor contumaz do país, o grupo tem R$ 25,7 bilhões em passivo tributário.

Procurada por email na manhã desta sexta (7), a empresa não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O descumprimento do parcelamento especial de débitos tributários firmado com o Estado por mais de 90 dias e o acúmulo R$ 1,8 bilhão em novas dívidas após o acordo também são apontados pela procuradoria como justificativas. Além da conversão da recuperação judicial em falência, o atraso pode resultar no cancelamento do acordo tributário.

Manter a recuperação judicial nas atuais condições, afirma a PGE em nota, prolonga a insolvência da Refit, prejudica a arrecadação pública e afeta a concorrência. Convertê-la em falência permitiria vender os ativos da companhia de forma organizada, além de preservar a atividade econômica e os empregos.

Em maio deste ano, o Ministério Público do Rio de Janeiro já havia pedido a falência da empresa. De acordo com o órgão, a recuperação judicial tem sido usada de forma indevida, para impedir cobranças de dívidas.

O MP afirmou não haver reestruturação da empresa após uma década de recuperação e citou as investigações nas quais há indícios de sonegação e fraude estruturada, além da ocultação e do esvaziamento patrimonial para dificultar a cobrança de dívidas; houve tentativas frustradas de bloqueio de ativos.

Em novembro de 2025, a Refit se tornou alvo da Operação Poço de Lobato, deflagrada pela Polícia Federal para apurar esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. As investigações apontam uso de empresas de fachada e fundos de investimento no Brasil e no exterior para reduzir o recolhimento de tributos.

Outra operação, denominada Sem Refino, deflagrada em maio, traz acusação contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro de usar a máquina do estado para facilitar crimes atribuídos ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit. Em nota enviada no dia da operação, a defesa de Castro disse ter sido surpreendida e que todos os procedimentos de sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais da legislação vigente, inclusive os relacionados à política de incentivos fiscais do Estado.

T LB

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