O dólar recua nesta sexta-feira (7), à medida que investidores reagem a dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos mais fracos do que o esperado.
O resultado do relatório payroll, principal indicador de emprego acompanhado pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), reforça a percepção de que a economia norte-americana não está tão aquecida quanto se imaginava e reduz as expectativas de novas altas de juros no país, favorecendo mercados e moedas emergentes, como o real.
Por volta das 11h40, a moeda norte-americana recuava 0,28%, cotada a R$ 5,090. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,29%, aos 99,65 pontos.
A Bolsa também registrava queda, pressionada pela temporada de balanços. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuava 1,38%, aos 173.106 pontos.
Dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA revelaram o fechamento de 23 mil postos de trabalho em julho, após a criação de vagas em junho ser revisada para baixo, de 57 mil para 20 mil.
Economistas consultados pela Reuters previam a abertura de 80 mil postos de trabalho. O resultado também ficou abaixo do piso das estimativas, que apontavam, no mínimo, para a criação de 10 mil vagas.
A taxa de desemprego caiu de 4,2% em junho para 4,1% em julho, refletindo, em parte, a redução da taxa de participação na força de trabalho.
Segundo Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, os indicadores reforçam a percepção de um mercado de trabalho americano menos aquecido do que se imaginava.
“Como consequência, diminuem as apostas de que o Fed eleve os juros no curto prazo. A avaliação é de que um mercado de trabalho mais fraco reduz a necessidade de um aperto adicional da política monetária para combater a inflação.”
A redução das expectativas de novas altas de juros pelo Fed derruba os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e diminui a atratividade dos ativos dos Estados Unidos para o capital internacional. “Esse movimento enfraquece o dólar e favorece a valorização de outras moedas, entre elas o real”, afirma Leonel.
Dados da ferramenta FedWatch, do CME Group, mostram que, antes da divulgação do payroll, 55% dos investidores apostavam em uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião de setembro. Após os dados desta sexta-feira, a maior parte do mercado, também 55%, passou a prever a manutenção dos juros.
“Se a economia não está criando tantos postos de trabalho, diminui a necessidade de elevar ainda mais os juros, afastando os cenários mais agressivos que cogitavam duas ou até três novas altas por parte do Fed diante de uma economia superaquecida”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Para André Valério, economista sênior do Inter, os dados do mercado de trabalho reforçam que o foco do banco central americano continuará sendo a inflação.
“O foco da política monetária americana passa a ser a inflação. Warsh disse ontem que, caso veja uma aceleração inflacionária, estaria disposto a aumentar os juros na reunião de setembro. A divulgação do CPI (Índice de Preços ao Consumidor), na próxima quarta-feira, portanto, será o centro das atenções”, afirma.
No cenário doméstico, na quarta-feira (5), o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo da Selic. A decisão já era amplamente esperada pelos economistas.
No comunicado divulgado após a decisão, o colegiado não antecipou os próximos passos da política monetária e voltou a afirmar que o tamanho total do ciclo de cortes será definido “à luz de novas informações”, diante dos riscos para a trajetória da inflação.
O Boletim Focus projeta a Selic encerrando 2026 em 13,75% ao ano, o que implica mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar atual.
Uma Selic ainda em nível elevado e juros estáveis nos Estados Unidos mantêm a atratividade da estratégia conhecida como carry trade, na qual investidores captam recursos em economias de juros baixos, como a americana, para aplicá-los em mercados com taxas mais elevadas, como o Brasil, lucrando com esse diferencial.
Ainda no Brasil, investidores repercutem a temporada de balanços, que pressiona o desempenho da Bolsa.
As ações da Lojas Renner desabam mais de 13% após a companhia piorar sua projeção de vendas para 2026. A empresa reduziu a expectativa de crescimento da receita líquida de uma faixa entre 9% e 13% para um intervalo de 4% a 8%.
Pesaram sobre a revisão a redução do fluxo de clientes nas lojas físicas durante a Copa do Mundo, em intensidade superior à observada historicamente, além dos efeitos de um cenário macroeconômico mais desafiador.
As ações do Magalu também operam em queda, recuando mais de 8%. A varejista registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 1,8 milhão apurado no mesmo período do ano passado.
Por outro lado, as ações do Fleury disparam mais de 14%, reagindo ao lucro líquido de R$ 221,9 milhões no segundo trimestre, alta de 45,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo analistas do BTG Pactual, a companhia apresentou um conjunto sólido de resultados, com forte crescimento orgânico, robusta geração de fluxo de caixa livre (FCF), margens saudáveis e expansão expressiva do lucro líquido.








