Sábado, 08/08/26

De la Espriella toma posse na Colômbia como aliado de Trump na guerra contra o tráfico

De la Espriella toma posse na Colômbia como aliado de Trump na guerra contra o tráfico
De la Espriella toma posse na Colômbia como aliado de – Reprodução

O ultradireitista Abelardo de la Espriella assume nesta sexta-feira (7) a Presidência da Colômbia decidido a combater guerrilhas e narcotraficantes com mão de ferro, em uma mudança de rumo que estreita os laços com Washington e põe fim às negociações de paz.

O advogado milionário de 48 anos, que também possui nacionalidade americana e é aliado de Donald Trump, tomará posse em Cali, no sudoeste do país, em uma cerimônia incomum realizada perto de territórios controlados por grupos armados responsáveis pela pior onda de violência da última década.

De la Espriella substituirá Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, que não reconhece a eleição de seu sucessor. Petro denuncia uma suposta fraude eleitoral, mas não apresentou provas.

Na cerimônia, prevista para as 15h no horário local (17h de Brasília), De la Espriella fará o juramento para um mandato de quatro anos com a promessa de inaugurar uma “nova era” na Colômbia.

De la Espriella, que se autodenomina El Tigre, comprometeu-se a pôr fim às fracassadas negociações de paz conduzidas por Petro com organizações envolvidas no tráfico de cocaína no país que é o maior produtor mundial da droga.

Ele tomará posse em uma região conflagrada, rompendo com a tradição bicentenária de realizar a cerimônia em Bogotá.

Petro, que não compareceu ao evento em Cali, deixou a residência presidencial na capital no início da tarde, acompanhado por parte de sua família e de seus colaboradores. “Espero que se lembrem de nós. Até sempre, liberdade e vida”, disse o presidente em sua despedida.

Os aliados de Petro convocaram manifestações para esta sexta-feira nas principais cidades do país, depois de perderem a eleição pela menor margem da história colombiana, inferior a 1%.

Cali, recentemente atingida por atentados atribuídos à guerrilha, foi fortemente protegida para a ocasião, com o envio de 11 mil militares e a ativação de um sistema antidrones.

A posse de De la Espriella conta com a presença de cerca de dez chefes de Estado, de uma delegação da Casa Branca liderada pelo procurador-geral dos Estados Unidos e de vários chanceleres, entre eles o de Israel. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, chegou durante a madrugada, em meio a uma forte crise que atinge a entidade.

– Com os Estados Unidos –

A chegada de De la Espriella ao poder na Colômbia desloca ainda mais o país para uma direita alinhada à guerra contra o narcotráfico liderada por Donald Trump na América Latina.

O governo que deixa o poder alertou para a possibilidade de “atos de terrorismo” no dia da posse.

O presidente americano apoiou o advogado, que lhe garantiu que a Colômbia terá uma relação com Washington “como nunca antes”.

O novo governo reaproxima os dois países após os constantes atritos entre Petro e Trump.

“Vamos recuperar a soberania e proteger os cidadãos da criminalidade e do narcoterrorismo”, afirmou De la Espriella no domingo, em seu pronunciamento mais recente.

Em sintonia com a direita internacional, o presidente eleito anunciou no mês passado que romperá relações diplomáticas com Nicarágua e Cuba.

– Sem maioria no Congresso –

Sem maioria em um Congresso dividido, o novo presidente prometeu intensificar os bombardeios contra acampamentos guerrilheiros com apoio de Israel e dos Estados Unidos, além de construir megapresídios semelhantes aos de El Salvador.

Sua estratégia remete à estreita cooperação militar entre Bogotá e Washington no início deste século, que fortaleceu a ofensiva contra guerrilhas como as Farc antes do acordo de paz de 2016.

Embora as principais estruturas insurgentes tenham sido enfraquecidas, organizações de defesa dos direitos humanos denunciam graves violações.

A especialista demonstra preocupação com possíveis “danos colaterais” que atinjam civis caso sejam realizados ataques contra grupos “profundamente enraizados” nos territórios.

A Colômbia tem cerca de 25 mil pessoas armadas em atividade, segundo um relatório da Fundação Ideas para la Paz baseado em dados oficiais de 2025.

“Precisamos de uma mudança total (…) Acho que será bom para a Colômbia. É preciso apoiá-lo para que não haja tanta criminalidade”, disse Germán Angulo, um prestador de serviços de 63 anos.

De la Espriella prometeu extinguir o gabinete presidencial da paz e o de direitos humanos como parte de seu plano de reduzir o tamanho do Estado em 40%.

T LB

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