JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS
Mesmo em um cenário desafiador para o crédito, o BTG Pactual aumentou as concessões e alcançou um lucro recorde de R$ 5,1 bilhões no segundo trimestre deste ano, disse o banco nesta terça-feira (11).
Puxado por empréstimos a grandes empresas e gestão de ativos, o número representa um crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado e de 7% ante o trimestre anterior.
O lucro veio acima da média de estimativas compiladas pela Bloomberg, de R$ 4,853 bilhões. Segundo o banco, o resultado é recorde.
O banco de André Esteves teve uma receita total de R$ 10,4 bilhões no período, alta de 16% no ano. A captação líquida foi de de R$ 59 bilhões, somando R$ 2,7 trilhões em ativos sob gestão e administração ao fim de junho.
Em termos anualizados, o ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio) do BTG, que mede a lucratividade de bancos, ficou em 26,7%, queda alta anual de 0,5 ponto percentual, mas alta de 0,1 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2026.
Apesar do cenário desafiador para o mercado de capitais, um dos motores do resultado foi a área de gestão de ativos do banco, que cresceu 25% em 12 meses e encerrou o trimestre com R$ 1,4 trilhão em ativos sob gestão e administração. A captação líquida foi de R$ 29,4 bilhões, em meio a resgates e fechamentos de fundos na indústria, o que elevou o market share do BTG. A receita da área somou R$ 793,5 milhões, alta anual de 27,2%.
Já o braço de crédito a grandes empresas alcançou receita recorde de R$ 2,5 bilhões, com alta de 19% na comparação anual.
“Na prática, o BTG está deixando de ser uma tese de ciclo de mercado de capitais para virar uma tese de crédito com um banco de investimento em cima. Isso reduz a volatilidade do resultado e explica como o banco entrega recorde num trimestre ruim para emissões”, diz Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Para pequenas e médias empresas (PME), o BTG emprestou 7% a menos, reduzindo a carteira de crédito para R$ 26,6 bilhões. Segundo o banco, a contração “reflete a alocação de capital disciplinada e ajustada ao risco em todos os segmentos de empréstimos corporativos.”
O portfólio de crédito voltado a empresas de todos os portes somou R$ 288,5 bilhões, crescimento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O braço de vendas e negociação de ativos, por sua vez, teve receitas de R$ 1,9 bilhão, queda de
2,9% no ano, segundo o banco, pelo “ambiente de mercado desafiador e marcado por uma atividade mais moderada dos clientes, a gestão disciplinada de riscos e a alocação mais eficiente de capital”.
O banco de investimento teve receitas de R$ 421,4 milhões, marcado pela participação do BTG Pactual no sindicato de coordenadores do IPO (abertura de capital) da SpaceX, na maior oferta de ações da história.
Mais lucrativa, porém, foi a área de pessoas físicas, com receitas de R$ 1,5 bilhão, salto de 74% no ano, impulsionada pela compra de 48% da fintech de crédito Meu Tudo, transação que foi concluída em abril deste ano.
Ao todo, a carteira de financiamento ao consumo alcançou R$ 78,2 bilhões, crescimento de 35% em 12 meses, puxada principalmente pela originação de crédito consignado privado.
Ao fim de junho, a provisão para perdas esperadas associadas ao risco de crédito do banco somou R$ 2 bilhões. No conglomerado, a baixa foi de R$ 13,97 bilhões.
Para analistas do Citi, o destaque neste trimestre do BTG é a mudança na composição do lucros: com menos participação do banco de investimento e mais crédito, captação e taxas recorrentes, “tornando a lucratividade estruturalmente menos dependente dos ciclos dos mercados de capitais”, escreveram em relatório.
João Debom, sócio da Supernova Investimento, tem leitura semelhante. “Em ciclos de juros elevados e mercado de capitais menos aquecido, bancos com plataforma diversificada se provam mais resilientes do que instituições dependentes de uma única linha de receita.”
DIGIMAIS
No balanço, o BTG voltou a afirmar que a compra do Banco Digimais segue na mesa. Em abril deste ano, o banco comunicou a celebração de documentos vinculantes para a aquisição do controle acionário da instituição do bispo Edir Macedo. A conclusão da transação depende de um acerto com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para financiar a transação.








