Sábado, 15/08/26

Desemprego no 2º trimestre varia de 2,1% em SC a 9,8% no AP

trabalho, emprego, desemprego, vagas
Desemprego no 2º trimestre varia de 2,1% em SC a – Reprodução

A taxa de desemprego nas unidades da Federação, no segundo trimestre de 2026, variou de 2,1% em Santa Catarina a 9,8% no Amapá, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (14) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No Brasil, o indicador foi de 5,4% no intervalo de abril a junho, o menor patamar para esse período na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.

O IBGE divulgou o dado nacional em 30 de julho. A publicação desta sexta traz outros detalhes do mercado de trabalho, incluindo as estatísticas estaduais.

A taxa de desemprego teve quedas consideradas significativas em termos estatísticos em 13 estados na passagem do primeiro para o segundo trimestre.

Foram os casos de Rio Grande do Norte (-1,9 ponto percentual), Paraíba (-1,6 p.p.), Acre (-1,6 p.p.), Tocantins (-1,5 p.p.), Alagoas (-1,3 p.p), Minas Gerais (-1,2 p.p.), Mato Grosso do Sul (-1,1 p.p.), Rondônia (-1 p.p.), Goiás (-1 p.p.), Mato Grosso (-0,9 p.p.), Espírito Santo (-0,9 p.p.), Maranhão (-0,9 p.p.) e Santa Catarina (-0,6 p.p.).

Conforme o IBGE, o indicador ficou estável nas outras 14 unidades da Federação. Isso ocorreu porque a variação não foi significativa em termos estatísticos, permanecendo dentro da margem de erro da pesquisa.

As maiores taxas de desocupação foram registradas no Amapá (9,8%), na Bahia (9,1%), em Pernambuco (8,3%) e no Piauí (8,3%). São os únicos locais com indicadores acima de 8%.

Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%) e Espírito Santo (2,3%), por outro lado, mostraram os menores percentuais de desemprego.

As disparidades entre os estados aparecem ao longo da série histórica. Para William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, as diferenças de níveis de atividade econômica, industrialização e escolaridade podem explicar os resultados.

A Pnad Contínua abrange o mercado de trabalho formal, com carteira assinada ou CNPJ, e o setor informal, sem esses registros.

Nas estatísticas oficiais, uma pessoa de 14 anos ou mais que não tem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desempregada. Não basta só não trabalhar.

CENTRO-OESTE SE APROXIMA DO SUL

Entre as regiões, o Sul (3,2%), o Centro-Oeste (3,8%) e o Sudeste (5,2%) mostraram as menores taxas de desemprego no segundo trimestre, todas abaixo da média nacional (5,4%).

Nordeste (7,6%) e Norte (6,1%), por outro lado, tiveram os maiores níveis de desocupação.
Os dados sinalizam que a taxa de desemprego do Centro-Oeste vem diminuindo a diferença para a do Sul, que se mantém como a menor do país.

No segundo trimestre de 2026, um intervalo de 0,6 ponto percentual separou os indicadores das duas regiões.

Essa diferença era de 1 ponto percentual um ano antes e de 1,9 ponto percentual no início da série histórica, no primeiro trimestre de 2012.

O Centro-Oeste é conhecido pela força do agronegócio. O setor vem mostrando evolução ao longo das décadas.

“O agronegócio está evoluindo tecnologicamente e diminuindo a necessidade de mão de obra, porque está mecanizado. Mas o aumento de renda que ele gera pode se espalhar para outros mercados, que aumentam as suas contratações”, afirmou William Kratochwill, do IBGE.

RENDA ESTACIONA

Economistas afirmam que o mercado de trabalho ainda mostra força, mas começa a dar sinais mais claros de desaceleração no país.

Um dos indícios apontados é o comportamento da renda média. Após trajetória em alta, o rendimento do trabalho ficou praticamente estável em R$ 3.738 por mês no segundo trimestre no Brasil.

Entre os estados, apenas o Acre teve alta considerada significativa frente ao primeiro trimestre na Pnad. O aumento foi de 9%, para R$ 3.149 por mês.

No Distrito Federal, houve baixa de 9,5%, para R$ 6.171. A renda ficou estável nos demais locais.

INFORMAIS SUPERAM 50% EM QUATRO ESTADOS

As diferenças entre as unidades da Federação também aparecem na taxa de informalidade. O indicador mostra o percentual de trabalhadores ocupados sem carteira assinada ou CNPJ.

Maranhão (56,9%), Pará (55,9%), Amazonas (51,7%) e Bahia (50,7%) tiveram as maiores proporções de informais no Brasil no segundo trimestre -todas acima de 50% da mão de obra ocupada.

As menores foram as de Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,7%) e Mato Grosso do Sul (29,2%). O país registrou percentual de informais de 37,4% em igual período.

DESEMPREGO BAIXO NO BRASIL

Conforme analistas, o desemprego baixo no país refletiu uma combinação de fatores como o desempenho positivo da atividade econômica nos últimos anos.

Outra questão citada é a mudança demográfica em curso. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação.

Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego, mas desafia o sistema previdenciário, porque a demanda por aposentadorias tende a crescer.

O mercado de trabalho ainda é influenciado por vagas ligadas à tecnologia.

Estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou no ano passado que o trabalho em aplicativos reduzia o desemprego em 1 ponto percentual.

Taxa de desemprego no 2º trimestre em %

Santa Catarina: 2,1
Mato Grosso: 2,2
Espírito Santo: 2,3
Rondônia: 2,6
Mato Grosso do Sul: 2,7
Paraná: 3,1
Minas Gerais: 3,8
Goiás: 4,0
Tocantins: 4,1
Rio Grande do Sul: 4,2
Roraima: 5,0
Brasil: 5,4
Paraíba: 5,4
São Paulo: 5,4
Rio Grande do Norte: 5,6
Maranhão: 6,0
Pará: 6,2
Distrito Federal: 6,5
Acre: 6,6
Ceará: 6,6
Rio de Janeiro: 7,1
Amazonas: 7,5
Alagoas: 7,9
Sergipe: 7,9
Piauí: 8,3
Pernambuco: 8,3
Bahia: 9,1
Amapá: 9,8
Fonte: IBGE

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *