Sábado, 15/08/26

Dólar sobe e Bolsa cai nesta sexta com dados dos EUA e tensão no cenário doméstico

Dólar sobe e Bolsa cai nesta sexta com dados dos EUA e tensão no cenário doméstico
Dólar sobe e Bolsa cai nesta sexta com dados dos – Reprodução

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS


O dólar está em forte alta nesta sexta-feira (14), com investidores ainda repercutindo os novos dados da economia dos Estados Unidos e com a expressiva saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira. Às 13h28, a moeda norte-americana subia 1,01%, cotada a R$ 5,243.

No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas, ampliava as perdas após a divulgação dos dados de vendas no varejo dos Estados Unidos, recuando cerca de 0,38% no mesmo horário.

As vendas varejistas tiveram queda de 0,6% em julho ante o mês anterior, contrariando a expectativa de alta de 0,1% em pesquisa da Reuters.

Para Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, a agenda econômica desta sexta é mais esvaziada, apesar da divulgação dos dados de vendas no varejo nos EUA. Segundo ele, embora seja um indicador relevante para acompanhar o comportamento do consumo das famílias americanas, a expectativa é de que o dado tenha impacto mais limitado nos mercados, principalmente após uma semana marcada por indicadores importantes de inflação.

“Ao longo dos últimos dias, os grandes destaques foram os dados de inflação ao consumidor (CPI) e inflação ao produtor (PPI) nos Estados Unidos, que vieram em linha com a expectativa do mercado e reforçaram a percepção de desaceleração gradual da pressão inflacionária”, diz Yamashita.

Com a divulgação dos números, dados do FedWatch, do CME Group, mostram que houve aumento nas apostas de manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Por volta das 13h30, 69,6% das apostas indicavam manutenção, contra 30,4% de aumento de 0,25 ponto percentual.

Às 13h31, o Ibovespa registrava queda de 0,97% aos 165.475 pontos. Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o movimento ocorre sob forte influência de um cenário doméstico tenso, que ofusca o alívio vindo dos dados de inflação nos EUA.

“Enquanto o mercado externo respira com o adiamento das apostas de alta de juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) para dezembro, o Brasil enfrenta uma combinação nociva de risco fiscal agravado por promessas de campanha, tensão geopolítica com a abertura de processo da Lei da Reciprocidade contra os EUA e uma sequência histórica de oito quedas consecutivas do índice”, afirma.

Além disso, Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, diz que a Bolsa local sofre com a repercussão da temporada de balanços do segundo trimestre, que trouxe leituras cautelosas e pressionou as ações de empresas com grande peso no índice, como Banco do Brasil e Sabesp.

“Essa combinação de resultados corporativos amargos e fuga de recursos internacionais é agravada pela manutenção da Selic em patamares elevados, que garante retornos atrativos na renda fixa, drena o capital doméstico da renda variável e encarece o financiamento das empresas listadas, bloqueando qualquer tentativa de reação da bolsa ao longo do dia”, diz a especialista.

Na véspera (13), o dólar fechou em alta de 0,27%, a R$ 5,191, enquanto a Bolsa encerrou o dia em baixa de 0,23%, aos 167.100 pontos. O índice terminou no menor nível desde 20 de janeiro, quando fechou aos 166.276 pontos.

O pregão foi marcado pela saída de investidores estrangeiros do Brasil, movimento que tem marcado agosto e pressionado os ativos domésticos ao longo da sessão.

Até o dia 11, o saldo de agosto está negativo em R$ 11,9 bilhões, o que, até o momento, coloca o mês como o segundo pior saldo do ano, atrás apenas de maio. No acumulado de 2026, porém, o saldo permanece positivo em R$ 29,1 bilhões.

O cenário eleitoral e as preocupações fiscais também pressionam os ativos brasileiros. Os fatores foram citados pelo banco JPMorgan ao reduzir a recomendação para as ações brasileiras de “overweight” (acima da média) para “neutra”.

“O rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan contribuiu para destravar essa percepção do investidor estrangeiro, que estava um pouco mais alheio a essa questão. O investidor local é que estava mais preocupado com a eleição, a dinâmica da dívida bruta e o crescimento real das despesas”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

Também pesa a perspectiva de juros elevados por mais tempo, em meio às incertezas relacionadas à guerra no Irã. A Selic em patamar elevado favorece os investimentos de renda fixa e reduz parte da atratividade da Bolsa. O conflito também favorece a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Às 13h34, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 87, com alta de 1,09%, enquanto os investidores aguardavam novos desdobramentos sobre as negociações entre EUA e Irã e a situação no estreito de Hormuz.

Segundo Yamashita, os mercados caminham para encerrar a semana próximos das máximas históricas, ainda acompanhando alguns pontos de atenção, como os debates em torno do setor de inteligência artificial. Em agosto, o segmento de semicondutores vem mostrando recuperação após um mês de julho mais pressionado.

As bolsas americanas operam em um pregão volátil nesta sexta-feira. Às 13h34, o S&P 500 caía 0,19%, o Dow Jones recuava 0,19% e o Nasdaq tinha baixa de 0,41%.

As tensões no Oriente Médio continuavam a pesar sobre o humor dos investidores. O trânsito de embarcações pelo Estreito de Hormuz se aproximou de uma paralisação após mais dois navios serem atacados, enquanto os EUA afirmaram que podem manter um bloqueio naval ao Irã por tempo indeterminado.

No mercado doméstico, o pregão da véspera ainda teve influência da divulgação de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que informou que o setor varejista brasileiro encerrou o segundo trimestre com alta nas vendas acima do esperado em junho.

O avanço foi de 0,5% na comparação com maio, acelerando o ritmo em relação ao mês anterior e sinalizando alguma resiliência do consumo, mesmo diante do cenário de juros ainda elevados.
Para André Valério, economista sênior do Inter, apesar do avanço, o resultado de junho reforça sinais de moderação da atividade.

“O desempenho de junho foi amplamente explicado por supermercados, um consumo essencial. No ano, grande parte do crescimento é oriundo de combustíveis, farmacêuticos e supermercados, consumos essenciais, enquanto o varejo ampliado, mais sensível ao crédito, demonstra sinais de perda de dinamismo”, diz.


T LB

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