O velório de Luiz Gutemberg reuniu cerca de 50 pessoas, dentre eles diversos profissionais da comunicação e familiares, para uma despedida dolorosa de um grande nome do jornalismo. Vítima de uma pneumonia, o jornalista faleceu aos 88 anos em Brasília no Hospital do Coração. Deixou um legado de inovação no jornalismo e uma contribuição para a história do país.
Sua história começa em Maceió, mas sua carreira teve impulso quando estava já no Rio de Janeiro, no fim dos anos 1950, no Jornal do Brasil. Ele veio para Brasília em 1969 para ser editor-assistente na revista Veja, anos depois, foi assessor no Palácio do Planalto no governo de José Sarney.
No meio televisivo, ele teve destaque como analista político enquanto trabalhou na Rede Bandeirantes, onde cobriu momentos importantes da história como a eleição de 1989 e o impeachment de Fernando Collor. Como diretor do Jornal de Brasília, Gutemberg pôde colocar em prática suas ideias pouco convencionais, como quando propôs uma redação circular, com o editor-chefe no centro e a equipe ao redor.
Além do jornalismo, Luiz mostrou ser brilhante na literatura e no teatro também. Ele escreveu o livro, que é sucesso de vendas, O Jogo da Gata Parida e a biografia de Ulysses Guimarães, chamada Moisés, codinome Ulysses Guimarães. Era versátil, transitava entre a análise política e o romance ficcional, como em seu livro O Anjo Americano. Foi o autor de diversas peças teatrais, como “O homem que enganou o diabo… e ainda pediu troco”, apresentada na inauguração do antigo Teatro Galpão. Em 1995, recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília por sua dedicação à capital.
O ex-Ministro da Educação, Cristóvam Buarque relembra seu amigo Gutemberg como um personagem histórico e um mestre que ensinou gerações. Buarque destacou o quão resiliente foi Gutemberg, para enfrentar a censura no regime militar. “Ele era uma mente brilhante, inquieta, instigante e um grande professor para todos”, afirmou o ex-ministro.
Cristina Gutemberg, a filha primogênita de Luiz Gutemberg, tem atualmente 65 anos, e recordou seu pai como um intelectual incansável e um “paizão” sempre presente. De acordo com a mesma, foi o pai quem introduziu a literatura universal para os netos durante as viagens de férias. Mesmo sob o impacto do Alzheimer, ele continuou curioso e em um dos últimos momentos lúcidos que teve com a filha, conversaram sobre a Inteligência Artificial.
Até os momentos finais, Gutemberg manteve o hábito da leitura voraz de jornais impressos como O Globo e o Estado de São Paulo. Cristina destacou que o pai sempre buscava se atualizar. “Ele dizia sempre que o jornalista tem que se informar, tem que estar atualizado e à frente da tecnologia”, recordou a filha.
Ao encerrar a missa, todos caminharam em silêncio em direção ao crematório, onde houve uma última despedida antes do corpo ser cremado. O trajeto marcou o fim da despedida de Luiz Gutemberg, sob o afeto de seus cinco filhos e de muitos admiradores, a capital federal viu partir um homem que dedicou a vida à palavra e que agora é eternizado na história do País.








