Terça-feira, 18/08/26

Reitor de Cambridge denuncia ‘onda racista’ em torno do acadêmico encontrado morto

Reitor de Cambridge denuncia ‘onda racista’ em torno do acadêmico encontrado morto
Reitor de Cambridge denuncia ‘onda racista’ em torno do acadêmico – Reprodução

O reitor da Universidade de Cambridge, Chris Smith, afirmou nesta segunda-feira (17) que as acusações de plágio contra o falecido acadêmico Jason Arday desencadearam uma “onda racista”.

Arday, o professor negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge, foi encontrado morto na sexta-feira em sua casa em Londres, após enfrentar inúmeras acusações de plágio.

Após sua morte, o reitor disse à BBC que acredita ser importante que as acusações de plágio sejam “investigadas minuciosamente”.

No entanto, também afirmou que era importante “recusar-se a participar de uma onda racista em torno de um determinado acadêmico”, embora não tenha mencionado Arday diretamente.

O professor se demitiu em 5 de agosto, após a ampla divulgação na mídia das acusações de que ele teria plagiado partes de sua tese de doutorado.

O acadêmico, de 41 anos, declarou na época que havia chegado “ao limite do que qualquer pessoa pode razoavelmente suportar”.

A família de Arday atribui o ocorrido a uma “campanha de desinformação”.

Uma página de arrecadação de fundos criada para ajudar os familiares do professor universitário havia arrecadado mais de 146 mil libras (cerca de 1 milhão de reais) até a manhã desta segunda-feira.

Enquanto isso, uma petição que pede uma investigação pública sobre a cobertura midiática no caso Arday reuniu quase 32.400 assinaturas.

“Passei grande parte da minha vida ensinando aos meus alunos que poderiam fazer qualquer coisa a que se propusessem. E ver alguém que estava fazendo exatamente isso ser derrubado (…) teria sido alguém que eu usaria como exemplo”, afirmou.

Na segunda-feira também foi realizada outra concentração, menor, em Cambridge.

A Universidade de Cambridge também enfrenta um número crescente de questionamentos sobre como lidou com as acusações e o tratamento dado a Arday.

O ex-ministro conservador James Cleverly declarou na segunda-feira à BBC que “é perfeitamente possível” que parte do escrutínio ao qual Arday foi submetido tenha sido motivada pelo racismo.

Contudo, acrescentou que a situação “nunca teria chegado tão longe se as pessoas dentro das instituições universitárias (…) tivessem realizado verificações rigorosas e a devida diligência que deveriam ser feitas em qualquer nomeação de um acadêmico de alto nível”.

A vice-reitora de Cambridge, Deborah Prentice, anunciou na semana passada, antes da morte de Arday, uma investigação sobre sua nomeação e sua trajetória na universidade.

T LB

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