Quinta-feira, 20/08/26

147 escola do Distrito Federal ficaram sem diagnóstico final no Ideb 2025

147 escola do Distrito Federal ficaram sem diagnóstico final no Ideb 2025
147 escola do Distrito Federal ficaram sem diagnóstico final no – Reprodução

Cerca de 18,1% das escolas da rede pública do Distrito Federal ficaram sem nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2025 (Ideb). De 811 unidades, 147 não tiveram seu desempenho calculado. O motivo foi o baixo número de alunos para a realização da prova do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), já que o exame requer pelo menos 80% dos alunos matriculados ou o mínimo de dez alunos por turma.

A falta dos dados afeta principalmente os níveis finais da trajetória escolar. De acordo com os dados do Ideb 2025, o grupo sem nota é composto por 73 escolas dos anos finais do ensino fundamental e 74 colégios de ensino médio. Os testes para os anos iniciais são feitos por amostragem, por isso essa etapa não sofreu o mesmo impacto.

O “ponto-cego” estatístico

Carlinhos Costa, especialista em educação pública e sócio-fundador do Os Pedagógicos, argumenta que a ausência desses indicadores cria uma grave lacuna para a gestão. “Se muitas escolas ficam sem Ideb, então há um ponto cego estatístico. Isso não impede o planejamento por completo, há outros bancos de dados, mas limita sua precisão”, alerta o especialista.

Costa reforça que o Ideb é uma ferramenta importante, já que combina aprendizagem e fluxo escolar, o que permite um acompanhamento mais aproximado do crescimento da escola ao longo dos anos. Ele também destaca que o prejuízo é maior após a pandemia do Covid-19. “Se dados comparáveis estão ausentes em parte dessa jornada, então quanto os alunos perderam, quanto recuperaram e quais dificuldades permaneceram serão mais difíceis de avaliar”, explica o especialista.

O silêncio de quem ficou de fora

Colégios antigos da capital brasileira, como o Centro de Ensino Médio Asa Norte (Cean), enfrentam um apagão pedagógico há seis anos, sem notas divulgadas desde 2019 o diretor do Cean, Claudinei de Oliveira, relata que na última prova o clima foi um empecilho para a movimentação dos alunos até a escola, apesar da de terem se organizado para o teste. “A prova do Saeb foi aplicada dia 3 de novembro de 2025, dia esse com muita chuva no CEAN, o que resultou na baixa adesão”.

De acordo com o diretor, a falta desses dados dificulta a rotina de planejamento da escola. “Entendemos que a indisponibilidade de dados do Ideb dificulta o acompanhamento dos resultados e a realização de uma análise mais precisa do desempenho da escola para planejar estratégias de melhorias”, afirma Claudinei.

Ele ressalta que a escola trabalha para identificar estudantes que vêm faltando muito, e destaca que o caso da prova do Saeb foi uma ausência pontual influenciada por condições excepcionais.
A estratégia da Secretaria

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) afirma que a identificação “ND” tem que ser analisada caso a caso. “Não significa, necessariamente, que a escola não tenha aplicado a avaliação ou que tenha deixado de atingir um único requisito específico de participação”, explicou a Secretaria. O registro de dados do Saeb 2025 afirma que, das 618 escolas elegíveis, somente 546 participaram e 488 atingiram o quórum mínimo para a publicação dos resultados.

Para tentar preencher o vazio deixado pelo Ideb nas 147 unidades, o governo aposta em um sistema interno. “É utilizado o SipaeDF, sistema permanente de avaliação da rede, que monitora por escola e por Coordenação Regional o desempenho em língua portuguesa e matemática, além de frequência escolar, fluxo e recomposição de aprendizagens”, declara a Secretaria em nota.

A SEEDF informou que houveram ações na tentativa de ampliar a participação estudantil em 2025. “As principais iniciativas incluem a realização de visitas de sensibilização às escolas, o acompanhamento sistemático da participação dos estudantes e a articulação das equipes regionais para identificar unidades com necessidade de maior mobilização, além de mobilização da rede e divulgação de informações nas redes sociais e nos canais institucionais”, informou o órgão.

T LB

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