Ifood e Uber iniciaram a integração de seus aplicativos no Brasil, marcando uma nova fase na competição do mercado de entregas. A partir desta semana, usuários do Ifood em Belo Horizonte já podem acessar uma aba que permite solicitar corridas da Uber diretamente do aplicativo. Nas próximas semanas, a Uber também passará a exibir opções de entrega do Ifood, incluindo refeições e compras de mercado.
A integração, que começou em Belo Horizonte, tem previsão de expansão para outras cidades ainda em 2025 e no início de 2026. Entre as cidades contempladas na expansão de dezembro estão São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Campinas, Goiânia, Recife, Porto Alegre e Salvador. O objetivo é que, em janeiro de 2026, a integração esteja disponível em todas as cidades onde ambas as empresas operam. A implementação gradual visa garantir a estabilidade do sistema e otimizar a experiência do usuário.
Este movimento representa o retorno da Uber ao segmento de entregas de refeições, cerca de três anos após o encerramento do Uber Eats. A iniciativa surge em um contexto de crescente competitividade no setor, impulsionada por investimentos de rivais como 99Food e Keeta.
A parceria se materializa na assinatura conjunta “Clube iFood + Uber One”, oferecida por R$ 21,90 mensais. O pacote combina benefícios de delivery e mobilidade, com o intuito de fidelizar clientes. Assinantes do clube recebem cinco cupons de R$ 10 para restaurantes no Ifood, além de frete grátis em compras de mercado e farmácias e cupons extras em promoções. Na Uber, o plano oferece 10% de créditos nas viagens e dois descontos mensais de 25% (limitados a R$ 5) em corridas nas categorias Comfort e Black.
A estratégia visa converter usuários ocasionais em clientes frequentes de ambas as plataformas. Atualmente, apenas metade dos consumidores utiliza os serviços do Ifood e da Uber de forma combinada.
A aliança entre as empresas ocorre em meio a um cenário de disputas e acusações de concorrência desleal no setor de delivery. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está monitorando as operações dos aplicativos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia, devido a denúncias e práticas comerciais questionáveis.
No centro das discussões estão os contratos de exclusividade. Restaurantes que romperam acordos com o Ifood alegam ter sofrido retaliações, como a inativação de operações, perda de acesso a promoções e redução da visibilidade no aplicativo. Em um dos casos, a quebra de contrato resultou em uma multa de R$ 1,2 milhão, posteriormente reduzida pela Justiça para R$ 150 mil.
Além disso, o iFood tem se envolvido em disputas judiciais com a Rappi e a 99, buscando impedir o uso de sua marca como palavra-chave em links patrocinados. A Polícia Civil investiga suspeitas de espionagem envolvendo a Keeta, após o acesso indevido de pessoas com crachás falsos aos sistemas de restaurantes.
Fonte: olhardigital.com.br








