Sexta-feira, 21/08/26

Presidente da Bolívia destitui ministro da Economia após censura do Congresso

Presidente da Bolívia destitui ministro da Economia após censura do Congresso
Presidente da Bolívia destitui ministro da Economia após censura do – Reprodução

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, destituiu nesta sexta-feira (21) o ministro da Economia, depois que o Congresso o censurou por não comparecer a uma interpelação sobre sua gestão em meio a uma grave crise econômica.

A destituição de José Gabriel Espinoza ocorre enquanto a Bolívia atravessa sua pior turbulência econômica em quatro décadas, que o governo de centro-direita de Paz, eleito no ano passado, está sob pressão para resolver.

Paz anulou a nomeação de Espinoza e nomeou como seu substituto interino o atual ministro do Meio Ambiente, Óscar Mario Justiniano Pinto, segundo um decreto publicado no diário oficial.

Espinoza foi convocado na terça-feira ao Congresso, em La Paz, para responder sobre emissões de títulos soberanos e atrasos na elaboração do orçamento geral do Estado, entre outros temas. Mas comunicou que não poderia comparecer porque tinha viagens programadas para Santa Cruz (leste) e para o Brasil.

No mesmo dia, 91 dos 129 senadores e deputados presentes na sessão votaram a favor da remoção do ministro, o que obrigava o presidente a destituí-lo.

O governo de Paz considerou que não foram alcançados os dois terços dos votos necessários para retirar Espinoza do cargo, pois os membros da Assembleia são 166, e apresentou uma ação judicial perante o Tribunal Constitucional para questionar a decisão do Congresso.

Nesta sexta-feira, a Presidência comunicou que “o presidente acatou a decisão de destituir o ministro da Economia (…) enquanto aguarda a decisão” do mais alto órgão de Justiça do país.

O Tribunal Constitucional marcou audiência para examinar o caso em 24 de agosto.

A saída de Espinoza ocorre dias depois da detenção do assessor pessoal de Paz, o argentino Fernando Cerimedo, denunciado por sua ex-companheira por planejar um ataque armado contra ela.

– “Não são momentos fáceis” –

Espinoza havia assumido em novembro de 2025, quando Paz chegou à Presidência e pôs fim a 20 anos de governos socialistas de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).

Em uma mudança em sua política externa, a Bolívia se aproximou dos Estados Unidos e das instituições multilaterais de crédito em busca de ajuda financeira.

Durante a gestão de Espinoza, foram obtidos programas de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a CAF e o Fundo Monetário Internacional no valor de cerca de 9,5 bilhões de dólares (R$ 49 bilhões).

A Bolívia esgotou suas reservas internacionais em dólares para financiar uma política de subsídios aos combustíveis, uma bandeira dos governos socialistas, que Paz eliminou no fim de 2025.

Embora entre novembro e julho a inflação interanual tenha passado de 21% para 5%, a nação andina ainda enfrenta uma taxa de câmbio elevada, uma economia estagnada e uma crônica falta de combustíveis.

“Não são momentos fáceis para o país. Deixaram-nos na bancarrota”, disse Paz na quinta-feira, durante um ato público com representantes indígenas.

O Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma contração entre 0,7% e 1% entre junho e agosto, estima o Ministério da Economia.

O governo atribui essa queda aos 53 dias de protestos e bloqueios de estradas ocorridos meses atrás, quando diversos setores reivindicaram uma saída para a crise. Paz conseguiu sufocar a agitação ao decretar estado de emergência em junho e chegar a acordos com sindicatos de trabalhadores.

As autoridades bolivianas agora buscam abrir o país a investimentos estrangeiros.

Paz apresentou em meados de agosto um projeto de lei para um novo regime de investimentos, que prevê incentivos e mudanças regulatórias.

Segundo o governo, o percentual de investimento estrangeiro direto em outros países da região oscila entre 20% e 30% do PIB, enquanto na Bolívia não supera 2% ou 3%.

T LB

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