Domingo, 23/08/26

ONS determina corte emergencial por excesso de energia pela segunda vez em 2026

ONS determina corte emergencial por excesso de energia pela segunda vez em 2026
ONS determina corte emergencial por excesso de energia pela segunda – Reprodução

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determinou o corte na geração distribuída de energia neste domingo (23) para evitar a sobrecarga da rede. É a segunda vez que o órgão aciona o mecanismo neste ano para equilibrar a carga de energia no sistema.

O sistema elétrico precisa manter equilíbrio permanente entre a energia produzida e a consumida.

Quando a geração fica muito acima da demanda, aumenta o risco de desligamento automático de equipamentos.

Geração distribuída é a modalidade em que o próprio consumidor residencial ou empresarial produz sua energia e pode vender o excedente para o sistema. No Brasil, o tipo mais comum é com energia solar.

O plano emergencial atinge a chamada mini e microgeração distribuída do tipo 3. Essa categoria inclui pequenas centrais hidrelétricas, usinas a biomassa e fontes eólicas e solares de menor porte.

“O recurso é indicado para manter o equilíbrio do sistema frente à geração da micro e minigeração distribuída, combinada a uma carga menor por causa do final de semana”, disse o ONS em comunicado.

As distribuidoras de energia foram informadas neste sábado (22) de que seria necessário acionar o plano de gestão de excedentes no domingo. O corte começou às 11h e deve seguir até as 13h30, segundo o pedido do ONS às empresas.

O ONS não tem controle sobre essas fontes e, por isso, precisa acionar as distribuidoras.

As pequenas produtoras de energia ligadas à rede por meio das distribuidoras “devolvem” à rede a geração não utilizada e, por isso, cabe às distribuidoras a gestão da carga.

O aumento no volume dessas instalações domésticas ou de pequeno porte tem sobrecarregado a rede de distribuição.

A Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) disse em nota que é “urgente e necessário o aprofundamento de políticas públicas que possam reorganizar o sistema e solucionar os gargalos existentes para evitar apagões”.

O mecanismo acionado para este domingo faz parte de um plano emergencial de cortes implementado pelo operador após aprovação pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2025.

O operador já realiza cortes de geração há anos, em eólicas e em grandes usinas solares, prática chamada de curtailment. Em 2025, o Brasil deixou de usar cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido produzida por suas usinas, e os cortes são o principal motivo.

Essas grandes produtoras são integradas ao sistema e, por isso, o ONS consegue manejar a carga. Com o aumento da geração distribuída nos últimos anos, foi necessário estender a regulação para esses produtores de menor escala, que são ligados à rede por meio das distribuidoras.

O ONS prevê começar a testar ainda neste ano cortes automáticos de geração distribuída solar remota para proteger o sistema. O piloto deve afetar a geração por fazendas solares, aquelas que produzem energia elétrica em um lugar e depois vendem essa produção por meio do crédito a consumidores.

T LB

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