Domingo, 23/08/26

Enfermeiros do DF cobram nomeações de concurso que ocorreu em 2022 para diminuir déficit de profissionais na saúde pública

Enfermeiros do DF cobram nomeações de concurso que ocorreu em 2022 para diminuir déficit de profissionais na saúde pública
Enfermeiros do DF cobram nomeações de concurso que ocorreu em – Reprodução

Por Vítor Ventura e Débora Oliveira*

Enfermeiros e enfermeiras aprovados no concurso público de 2022 da Secretaria Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) cobram a nomeação de pelo menos 1000 profissionais para reduzir a sobrecarga de trabalhadores da rede pública e melhorar o atendimento à população. A Comissão dos Enfermeiros Aprovados no Concurso de 2022 alerta que a validade do certame, em 24 de setembro deste ano, se aproxima.

Desde a realização do concurso, já foram nomeados 1.169 profissionais da enfermagem segundo a Comissão. No entanto, para Daymila Guimarães, enfermeira que faz parte da Comissão, a demanda da rede pública de saúde da capital federal já exige a contratação de mais aprovados. Neste ano, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou que o Governo do DF adotasse medidas para reduzir o déficit de profissionais na saúde.

A recomendação das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus) e Regionais de Defesa dos Direitos Difusos (Proreg) leva em conta o diagnóstico da capacidade instalada e dimensionamento da força de trabalho, que aponta um déficit reconhecido pela Secretaria de Saúde em relação a enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos de saúde da família. “A atenção primária integra a rede de urgência e emergência. A insuficiência da cobertura da estratégia de saúde da família no Distrito Federal é uma das causas da sobrecarga e da desestruturação da rede, especialmente nas portas dos hospitais e nas unidades de pronto atendimento”, explica a promotora de justiça, Hiza Carpina.

Por isso, explicou Daymila ao Jornal de Brasília, os enfermeiros aprovados no concurso têm se mobilizado para garantir a nomeação de mais profissionais para as unidades de saúde pública. “Hoje, a gente tem um déficit de 1.582 enfermeiros na rede pública. A gente está reivindicando que se a governadora Celina Leão não nomear até dia 24 de setembro ela não poderá mais, e a gente vai perder o concurso”, disse a enfermeira.

Para ela, a não nomeação contribui não só para o atendimento inadequado das demandas da população, mas também para a sobrecarga de trabalho aos profissionais que trabalham nas unidades de saúde. “Hoje um enfermeiro, muitas das vezes, fica responsável por mais de 60 pacientes. A população está sendo prejudicada, não tem um atendimento adequado porque não tem o profissional. Como que eu vou dar um atendimento de qualidade, se eu tenho um monte de paciente para atender?”, questionou Daymila. Segundo ela, o quantitativo correto de pacientes que um enfermeiro pode atender em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), por exemplo, é de 10 pessoas. Quantos que nós temos atendido hoje? De 20 a 30. Que qualidade de assistência é essa que o enfermeiro pode ofertar para a população?”, contou.

De acordo com Hiza Carpina, quando a população não consegue acessar esse cuidado inicial, o quadro de saúde tende a se agravar. “Sem acompanhamento adequado, o processo de adoecimento evolui e muitas vezes leva à necessidade de internação, o que aumenta ainda mais a pressão sobre o sistema”. Os enfermeiros e enfermeiras fazem esse alerta para que a governadora Celina Leão faça a nomeação de mais profissionais para as unidades de saúde.

“O tempo é curto, para você conseguir dar andamento nesse processo todo vai demorar. Então a gente está em cima da hora, vai vencer o nosso prazo e aí depois como que ela [Celina] vai justificar? Não existe mais impeditivo, não é por conta do período eleitoral porque o nosso concurso já está homologado, e a governadora tem várias justificativas para nomear. Inclusive uma delas é a de que a população está sendo prejudicada”, completou Daymila.

O que diz o GDF

O Jornal de Brasília questionou a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, sobre a demanda dos enfermeiros durante agenda da chefe do executivo, que tenta a reeleição neste ano. Ela comentou que terá uma reunião nesta segunda-feira (24) para tratar do tema. “A gente tem essa essa necessidade, mas eu tenho algumas vedações eleitorais. Como esse concurso vence, a gente pode fazer algumas consultas à nossa Procuradoria sobre isso para que aconteça [as nomeações]. A gente tem feito um trabalho um pouco diferente. A gente não quer a gente não quer nomear sem ter a demanda. A gente quer a demanda e nomear em cima dela”, declarou Celina.

Em nota ao JBr, a Secretaria de Saúde informou que acompanha permanentemente o cenário da força de trabalho da rede pública de saúde, incluindo a categoria de Enfermeiro. Também confirmou a existência de déficit de profissionais na categoria, conforme os parâmetros de dimensionamento da força de trabalho adotados pela pasta. A Secretaria pontuou que as nomeações aconteceram, mas outras precisaram ser suspensas devido ao Decreto nº 47.386/2025, de 25 de junho de 2025. A decisão estabeleceu medidas de racionalização de despesas públicas no âmbito do Governo do Distrito Federal, como a suspensão da nomeação de servidores para cargos efetivos, ressalvadas as reposições decorrentes de vacâncias essenciais previamente autorizadas.

A pasta destacou que posteriormente, a Lei nº 7.843, de 23 de fevereiro de 2026, determinou, excepcionalmente, a suspensão dos prazos de validade dos concursos públicos homologados e vigentes na data da publicação do Decreto nº 47.386/2025, com efeitos retroativos a 25 de junho de 2025. Assim, considerando a suspensão da contagem determinada pela Lei nº 7.843, a projeção prevista do término da validade do concurso feito em 2022 passaria para 6 de abril de 2028, conforme contagem da SEEC/DF.

Nesse contexto, segundo a SES-DF, foi publicada, em 27 de março deste ano, a recente nomeação de 150 candidatos aprovados para provimento efetivo dos cargos. Posteriormente, em 3 de julho, foi publicada nova nomeação contemplando 20 candidatos aprovados, com a finalidade de recompor as vagas decorrentes das nomeações tornadas sem efeito do primeiro ato de nomeação, assegurando a continuidade do processo de provimento de cargos. “A SES-DF permanece acompanhando o déficit e as necessidades assistenciais da rede, subsidiando tecnicamente as decisões relacionadas à recomposição do quadro de profissionais”, indicou a Secretaria.

T LB

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