Terça-feira, 01/09/26

Meta vê óculos conectados irem de fiasco a hit e ganharem apelido indigesto

Meta põe Brasil na rota de expansão de apps para óculos inteligentes
Meta põe Brasil na rota de expansão de apps para – Reprodução

A Meta conseguiu fazer com que o produto dela desse certo por quatro coisinhas. O primeiro é a estética e a aceitação social. Ela fez uma parceria com a Ray-Ban, da Luxottica, para fazer um óculos com cara de óculos. O segundo ponto é o escopo tecnológico: em vez de telas e realidade aumentada, ela simplificou e você interage com voz. O terceiro é distribuição: rivais vendiam por US$ 1.500; os óculos da Meta saem por US$ 300. O quarto é o software: antes a inteligência artificial não estava madura para um assistente de voz identificar o ambiente. Hoje isso é possível. Tanto que a Meta vendeu, nos últimos anos, 9 milhões de unidades.
Helton Simões Gomes

Os óculos da Meta nasceram com foco em lentes escuras, mas passaram a ter opções de armação para lentes de grau. Além disso, combina assistente de IA, câmeras e áudio por condução óssea.

Ele tem uma série de funcionalidades: você passa a ter um ambiente mais interativo. Tem, hoje, a conexão com o Meta AI, então pode conversar com a inteligência artificial, perguntar coisas, dar comando. Tem um conjunto de câmeras: você pode fotografar, filmar, sem a necessidade de pegar seu smartphone. Ele também tem um fone por condução óssea, então você escuta pela própria haste, sem estar com o ouvido tampado. Isso é útil em ambientes em que você precisa escutar a realidade, como ciclistas no trânsito.
Diogo Cortiz

Diversos usos já apareceram na prática, como apoio a pessoas com deficiência visual em tarefas do dia a dia, gravação de treinos esportivos com as mãos livres, tradução simultânea e registro de notas em áudio em rotinas profissionais.

Mas a popularização do aparelho no cotidiano -metrô, restaurante, shopping— muda o centro da discussão. Para Cortiz, a fricção para gravar alguém cai muito quando a câmera está no rosto, e isso tende a normalizar filmagens sem aviso.

Agora a gente tem que entender esse fenômeno quando as pessoas estão usando no dia a dia, no metrô, num restaurante, num shopping, em que ela pode estar tirando fotos ou filmando o tempo todo. Isso traz um desafio enorme. A Meta traz alguns contornos: tem a luzinha, o LEDzinho que fica aceso quando está filmando, e eles falam que é inviolável. Só que a gente vê casos em que conseguiram desativar isso por meio de hacks, ou mesmo para tirar uma foto rápida. Isso vai trazer uma perturbação.
Diogo Cortiz


T LB

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