Quarta-feira, 02/09/26

Campos Neto elogia medidas do Banco Central para conter fraudes no Pix

Campos Neto elogia medidas do Banco Central para conter fraudes no Pix
Campos Neto elogia medidas do Banco Central para conter fraudes – Reprodução

LUANY GALDEANO
FOLHAPRESS


Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, afirmou nesta terça-feira (1º) que a autoridade monetária, chefiada por Gabriel Galípolo, adotou boas medidas para se defender contra novas fraudes financeiras, vindas da digitalização dos meios de pagamento com o Pix.

Campos Neto ressaltou que o movimento de tornar o ambiente financeiro mais virtual abre brecha para uma mudança no perfil de crimes, que também passam a ocorrer pela internet.

“Quando você muda o sistema de pagamentos, de papel e moedas, todo o crime que estava nas malas de dinheiros passam a ser crimes digitais, ficam mais visíveis. Tem incentivo às pessoas para buscarem formas digitais de fazer fraude. E acho que o Banco Central foi correto de saber a hora de atacar, saber também a hora de defender”, disse o colunista da Folha no Zetta Summit, evento de inovação financeira em Brasília.

Campos Neto, hoje vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas do Nubank, afirmou também que as iniciativas de prevenção a crimes virtuais do BC incluem o lançamento de novos produtos para competir no mercado. Na avaliação do economista, ainda há espaço para inovação nesse âmbito.

Entra em vigor nesta terça nova regra que prorroga o prazo para contestar devoluções do Pix. O objetivo é evitar que o sistema de devolução seja usado por golpistas para roubar dinheiro de comerciantes.

A Folha de S. Paulo mostrou que as fraudes usando o meio de pagamento digital dobraram desde a
chegada da IA generativa, segundo casos na Justiça de São Paulo. O crime de estelionato engloba as fraudes cometidas via Pix, que a Polícia Federal costuma classificar como “cangaço digital”.

No total das decisões dadas pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) sobre estelionato em 2025, os números saltaram de 1.073 para 2.270, um aumento em linha com o avanço no registro de boletins de ocorrência por fraudes bancárias.

O ex-presidente do BC comentou ainda sobre a tokenização, mecanismo que transforma ativos como ações, títulos públicos e imóveis em registros digitais negociáveis. Segundo Campos Neto, ele esperava que a economia estaria mais tokenizada do que está hoje em dia, mas que a pauta avançou por mudanças recentes impulsionadas pelos EUA. Hoje, investidores americanos tem tokenizado seus ativos.

O evento contou ainda com a participação de outros integrantes do BC, incluindo o diretor de fiscalização, Ailton de Aquino.


T LB

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