Sexta-feira, 11/09/26

Agosto foi o mês mais quente da história, aponta Copernicus

Agosto foi o mês mais quente da história, aponta Copernicus
Agosto foi o mês mais quente da história, aponta Copernicus – Reprodução

Agosto foi o mês mais quente já registrado na Terra nos últimos 100 mil anos, informou nesta quinta-feira, 10, o observatório climático europeu Copernicus. O novo boletim da organização cita ainda que as temperaturas oceânicas atingiram níveis sem precedentes pelo terceiro mês consecutivo.

Segundo o Copernicus, no último mês, as temperaturas médias do ar atingiram 16,96°C, superando o recorde mensal anterior, estabelecido em julho de 2023, por 0,01°C.

As séries históricas do observatório remontam aos anos 1940, mas evidências como núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais permitem que os cientistas estudem o clima em diferentes momentos da história.

Em resposta à avaliação do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, a ONU alertou que o planeta continuará a trajetória rumo a níveis sem precedentes até que a humanidade abandone os combustíveis fósseis.

A atividade humana, particularmente a queima de carvão, petróleo e gás, aqueceu o planeta em cerca de 1,4°C desde a era pré-industrial, aumentando a severidade e a probabilidade de eventos climáticos extremos, apontam os cientistas. Além disso, as emissões de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento global, atingiram níveis históricos em 2025.

“As evidências são irrefutáveis: este é o preço crescente da dependência da humanidade em combustíveis fósseis e da crise climática global que ela está alimentando”, disse o chefe do clima da ONU, Simon Stiell, a sobre o novo relatório do observatório europeu.

Agosto também “marcou o fim do verão mais quente já registrado na Europa Ocidental”, superando o antigo recorde estabelecido em 2003, aponta o observatório. O período entre junho e agosto foi caracterizado por ondas de calor severas e consecutivas que levaram ao fechamento de escolas, ao ressecamento de rios e criaram as condições para incêndios florestais devastadores.

Pesquisadores da rede World Weather Attribution concluíram que a onda de calor particularmente intensa em junho teria sido “virtualmente impossível” sem a influência das mudanças climáticas.

A influência do El Niño

As temperaturas da superfície do mar também atingiram um recorde diário global e igualaram o calor recorde para o mês de agosto, estendendo uma sequência de três meses de temperaturas sem precedentes nos oceanos do mundo.

Mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases de efeito estufa foi absorvido pelos oceanos, com um custo severo para a vida marinha, recifes e comunidades costeiras.

As temperaturas de agosto bateram recordes nas regiões do Atlântico, do Mediterrâneo e do Pacífico tropical, onde o El Niño mais intenso da era moderna ganha cada vez mais força.

Os cientistas acreditam que recordes continuarão a ser quebrados nos próximos meses, à medida que este “super-El Niño” se aproxima do pico da intensidade por volta de dezembro, e que 2027, e talvez até 2026, se tornarão os anos mais quentes já registrados.

T LB

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