ALEXA SALOMÃO
FOLHAPRESS
Mais de 1.700 agentes foram a campo nesta quinta-feira (10) para desmontar a estrutura que sustenta o mercado paralelo de furtos e roubos de celulares na cidade de São Paulo. Batizada de Frankmobile, a operação é resultado de cerca de dois anos de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo.
A ação cumpre 84 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária em São Paulo e também no estado de Goiás. A Justiça também autorizou o sequestro e bloqueio de mais de R$ 5 milhões em bens e valores.
A Frankmobile reúne ainda efetivos das polícias Militar, Civil e Penal e das secretarias estaduais da Segurança Pública e da Fazenda. A investigação contou ainda com trabalho de inteligência do Ministério Público e da Assessoria de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública.
Até as 9h40, o balanço da operação apontava para dez pessoas detidas. Nove foram presas por força de mandados e uma, que era procurada, foi capturada durante uma abordagem.
Entre as apreensões, 453 celulares já haviam sido contabilizados. Em um dos locais, segundo a polícia, foram encontrados cerca de 5.000 aparelhos e peças. No Shopping Mundo Oriente, outros 5.000 celulares foram apreendidos. Os materiais ainda estão sendo contabilizados e podem ou não aumentar.
Também foram recolhidos R$ 122,5 mil e US$ 268 em dinheiro, além de dois cartões bancários, três relógios e dois documentos. Em um dos casos, uma única conta corrente teve cerca de R$ 8 milhões bloqueados. Na área de eletrônicos, foram apreendidos quatro notebooks, nove tablets, cinco CPUs, um HD e um pen drive. Outros equipamentos ainda estavam em processo de contabilização.
O Gaeco identificou e monitorou pelo menos quatro núcleos de ilícitos dedicados à intercepção e logística de crimes com aparelhos celulares, com a meta de não apenas coibir o furto e o roubo, mas desarticular toda a estrutura do mercado paralelo.
Na ponta inicial, mais conhecida porque afeta diretamente a população, os investigadores mapearam grupos de interceptadores motoqueiros com bags, gangues de quebra-vidros no trânsito e outros criminosos dedicados a se apropriar ilegalmente dos aparelhos nas ruas, em grupos dispersos.
No segundo núcleo, os agentes identificaram os responsáveis por desbloquear os aparelhos, acessar dados pessoais e transferir valores das contas bancárias das vítimas para contas de terceiros.
O Gaeco apurou ainda que, na etapa seguinte, os criminosos se articularam para devolver os celulares ao mercado. Era feita a alteração do IMEI, o número que funciona como identificação individual do aparelho, e a remoção de outros bloqueios técnicos. O esquema recorreria inclusive a sites hospedados no exterior.
Com essas mudanças, os aparelhos podiam ser revendidos sem vínculo aparente com o registro do crime.
Quando a revenda do telefone não era o caminho escolhido, o quarto núcleo era acionado. Os aparelhos eram desmontados e seus componentes comercializados separadamente, numa tentativa de ampliar o lucro obtido com cada celular.
Boa parte das empresas identificadas pelo Gaeco nessa cadeia está localizada no centro de São Paulo. Segundo a investigação, algumas não possuem regularidade formal e apresentaram movimentações financeiras incompatíveis com seu porte.
Foram 15 pessoas presas na operação, sendo sete por mandados de prisão e oito em flagrante. Os sete alvos de mandados pertenciam aos núcleos 3 e 4 da investigação. O número ainda pode aumentar, segundo a Promotoria, pois outros suspeitos estão sendo apresentados nas delegacias para os procedimentos policiais.
Em pronunciamento nesta quinta, horas após a operação, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse o registro das 17 empresas alvos da operação será suspenso na Receita Federal.
A partir de agora, afirmou, “a gente vai iniciar dar início ao processo de cassação do registro para que as empresas fiquem impedidas de operar. Isso tem motivo, que é a comercialização de produto fruto de roubo ou furto, e é importante tirar esses estabelecimentos do mercado”.
Os promotores responsáveis pela operação avaliam que atingir esses núcleos responsáveis pela receptação e comercialização dos aparelhos pode afetar os indicadores de furtos e roubos de celulares ao reduzir a rentabilidade da atividade.
Nos locais descritos na investigação como ninhos de celulares roubados e furtados, as buscas contam com cães da Polícia Penal treinados para detectar elementos químicos presentes em aparelhos eletrônicos.








