O candidato ao Governo do DF Leandro Grass (PT) defendeu, nesta terça-feira (15/9), uma relação mais próxima entre o governo e o setor da construção civil para ampliar investimentos em infraestrutura, habitação e desenvolvimento econômico. Durante sabatina promovida pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), o petista afirmou que pretende criar canais permanentes de diálogo com empresários e usar ativos fundiários do DF como parte de modelos de parceria para viabilizar grandes obras.
Grass afirmou que o setor da construção civil precisa participar do planejamento do governo desde a definição dos projetos. Segundo o candidato, a proposta é reunir representantes da indústria, da construção, da tecnologia e de outros segmentos da economia para discutir projetos estruturantes e acompanhar sua execução.
“O setor da construção civil é um setor gerador de emprego, um setor gerador de riqueza. Se não houver proximidade com o governo, a cidade não anda e não se desenvolve”, afirmou.
Na sabatina, o candidato também defendeu modelos de parceria com a iniciativa privada para ampliar a infraestrutura do Distrito Federal. A proposta prevê que empresas possam participar do financiamento de obras e em contrapartida, receber possibilidades de exploração econômica de determinados ativos.
“A capacidade de investimento depende de recursos e hoje a gente tem a possibilidade, a partir do ativo fundiário de Brasília, com bom planejamento, garantir que os recursos venham para essas obras”.
Segundo Grass, o modelo poderia ser utilizado tanto na construção de infraestrutura quanto na operação de determinados serviços. No caso dos investimentos em obras, ele citou a possibilidade de contrapartidas envolvendo terrenos ou exploração comercial de áreas do DF.
A estratégia também foi apresentada como alternativa diante da situação fiscal do Distrito Federal. Grass voltou a citar um déficit de aproximadamente R$5 bilhões e defendeu a revisão de renúncias fiscais e de despesas do governo para ampliar a capacidade de investimento.
Mais moradias e aluguel
A habitação também esteve entre os principais pontos apresentados por Leandro ao setor. O candidato afirmou que pretende construir 10 mil unidades habitacionais por ano, chegando a 40 mil ao longo de um eventual mandato, com foco nas famílias das classes C, D e E.
Segundo ele, a ampliação da oferta teria impacto também sobre o preço dos aluguéis no DF. Em entrevista à reportagem após a sabatina, Grass afirmou que considera o aumento da oferta de moradias uma das principais formas de reduzir o peso da locação no orçamento das famílias.
“A principal forma de a gente combater o valor do aluguel caro é ampliar a moradia social. É o que a gente propõe no programa de governo. Construir pelo menos 10 mil unidades por ano, ao final 40 mil de moradia para a população da classe C, D e E, que é quem mais precisa hoje, tirá-la do aluguel e aliviar o bolso desse trabalhador”, afirmou.
O candidato também disse estudar a ampliação do valor do aluguel social pago pelo governo. Atualmente, segundo ele, o benefício está em torno de R$600.
“Hoje o aluguel social no DF está nesse valor de R$600. Muitas famílias não conseguem pagar aluguel com esse valor. A gente está estudando a possibilidade de restabelecer outro valor do aluguel social”, disse.
Para Grass, a medida teria função preventiva, evitando que famílias em situação de vulnerabilidade cheguem à situação de rua ou recorram à ocupação irregular de terrenos.
Combate à grilagem
Outro ponto abordado pelo candidato foi o combate à ocupação irregular de terras. Grass defendeu o uso de sistemas de monitoramento e integração entre os órgãos públicos para identificar novas ocupações antes que elas sejam consolidadas.
Segundo ele, a atuação preventiva evitaria operações de retirada de famílias já instaladas em áreas ocupadas irregularmente, situação que classificou como um “trauma social”.
“Vamos trabalhar antes. Vamos trabalhar previamente. Hoje a gente tem esse instrumento e é o que a gente consegue utilizar para combater a grilagem”.
Grass também defendeu maior planejamento na expansão urbana e afirmou que alterações em instrumentos como planos de ordenamento territorial devem ser acompanhadas de infraestrutura, equipamentos públicos e serviços.
Transporte e grandes projetos
Durante a sabatina, Leandro também apresentou a ampliação do transporte público como parte da estratégia de desenvolvimento da cidade. Grass defendeu aumento da oferta de linhas e horários e voltou a falar sobre a possibilidade de ampliar a participação privada no financiamento de grandes projetos de infraestrutura.
Ele citou ainda a intenção de discutir projetos de metrô e de transporte sobre trilhos com o governo de Goiás, considerando a integração do Distrito Federal com o entorno.
Ao longo da sabatina, Grass afirmou que pretende manter uma relação permanente com o setor produtivo e transformar a construção civil em uma das parceiras do planejamento de longo prazo do governo.
“Brasília carece, necessita de projetos de futuro. As cidades hoje não têm projetos de futuro e nos vamos mudar isso”, finalizou.








