Segunda-feira, 21/09/26

Mata Atlântica perde vegetação nativa e amplia área agrícola

Mata Atlântica perde vegetação nativa e amplia área agrícola
Mata Atlântica perde vegetação nativa e amplia área agrícola – Reprodução

Em 41 anos, a Mata Atlântica perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura, enquanto a área destinada à agricultura avançou 11 milhões de hectares, segundo levantamento do MapBiomas divulgado nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore. O estudo, que reúne informações de 1985 a 2025, também aponta aumento da regeneração, mas destaca que o desmatamento passou a atingir mais áreas de vegetação secundária nos últimos anos.

De acordo com os dados, um em cada quatro hectares de vegetação nativa existentes hoje na Mata Atlântica corresponde a áreas que voltaram a crescer após terem sido desmatadas desde 1985. No período, o bioma ganhou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, mas entre 2021 e 2025 houve supressão de 1,2 milhão de hectares, sendo 700 mil hectares de vegetação secundária e 500 mil hectares de vegetação madura. Assim, 60% da supressão ocorrida nos últimos cinco anos atingiram áreas em regeneração.

O levantamento mostra ainda que, a partir dos anos 2000, a área de vegetação nativa suprimida ficou abaixo de 2 milhões de hectares em cada período de cinco anos. Segundo o MapBiomas, os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo foram os únicos que não apresentaram perda de vegetação nativa nos últimos 41 anos.

A coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, Natália Crusco, afirmou que a regeneração tem papel fundamental na recuperação do bioma, mas defendeu a necessidade de evitar novas perdas de vegetação nativa, tanto madura quanto secundária, em um território presente em 15 estados e considerado patrimônio nacional pela Constituição Federal.

Com cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, a Mata Atlântica é o bioma brasileiro com a menor proporção de vegetação nativa. Em 2025, essa cobertura ocupava 32% do território, enquanto a agropecuária respondia por 63%. A área ocupada pela agricultura somava aproximadamente 20,5 milhões de hectares, o equivalente a 19% da área total do bioma.

Segundo o MapBiomas, grande parte da expansão agrícola ocorreu sobre pastagens, que perderam cerca de 11 milhões de hectares no período. A conversão de pastagens em agricultura respondeu por 19% das mudanças de cobertura e uso da terra registradas entre 1985 e 2025.

A soja ganhou 8,7 milhões de hectares em 41 anos e passou a ocupar 11,11 milhões de hectares em 2025, uma área 4,6 vezes maior do que a registrada em 1985. A cana-de-açúcar avançou 5 milhões de hectares e alcançou 6,15 milhões de hectares, 5,3 vezes a área de 1985.

Em 2025, a Mata Atlântica concentrava 25% da soja, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café, com 833 mil hectares, e 34% do citrus, com 141 mil hectares, das áreas mapeadas no Brasil.

Outro destaque do levantamento é o avanço da silvicultura, que aumentou 3,8 milhões de hectares e chegou a 4,9 milhões de hectares em 2025. Nesse ano, metade da silvicultura mapeada no país estava na Mata Atlântica, e Paraná e Santa Catarina concentravam 46% da área do bioma.

As áreas urbanizadas também cresceram no período. Na Mata Atlântica, elas aumentaram 2,5 vezes entre 1985 e 2025, com acréscimo de 1,3 milhão de hectares, chegando a 2,3 milhões de hectares. Mais da metade, 52%, de toda a área urbanizada do Brasil estava no bioma em 2025. O MapBiomas informou ainda que mais de 80% dos municípios da Mata Atlântica tinham menos de mil hectares urbanizados naquele ano, e apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ultrapassavam 30 mil hectares. São Paulo, Paraná e Minas Gerais registraram os maiores aumentos absolutos de áreas urbanizadas no período.

T LB

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