Para Salles, do NetLab, é possível concluir que o Google está lucrando com anúncios fraudulentos de políticas públicas voltadas às parcelas mais vulneráveis da população, visto que o Desenrola é destinado pessoas com dívidas.
A engrenagem de segmentação publicitária é motor do negócio do Google: a empresa faturou R$ 1,515 trilhão (US$ 294,69 bilhões) com publicidade só em 2025, mais de 73% de tudo que arrecadou.
Os critérios de segmentação, ou seja, quem é o público escolhido e alcançado por esses anúncios, não estão disponíveis. mas, quando a gente analisa como o Google promove e apresenta os seus serviços de publicidade, a promessa é atingir o público ideal, que muita vezes é vulnerável. Parte da lógica da publicidade microssegmentada é encontrar o usuário que tem mais chance de clicar, comprar, consumir o conteúdo
Débora Salles
Outro problema identificado pelos pesquisadores é a opacidade do sistema de transparência dos anúncios do Google.
Como não é possível buscar por palavras-chave, campanhas fraudulentas só podem ser localizadas quando já se sabe o nome do anunciante ou do site, o que inverte a lógica da ferramenta de fiscalização. Fora isso, ela não disponibiliza valor gasto, quantidade de pessoas impactadas ou download dos dados.
A gente não sabe a dimensão desse problema, mas tudo leva a crer que seja muito maior. O repositório do Google tem muitas limitações: a busca por conteúdo é muito ruim, você não consegue pesquisar por temas, só pelo nome do anunciante –coisa imprevisível para os fraudulentos– ou por site promovido. Além disso, o repositório brasileiro só conta com anúncios de anunciantes verificados pela empresa. Ou seja, não estão ali todos os anúncios veiculados na infraestrutura do Google. Isso indica que os problemas encontrados são amostra de um fenômeno mais abrangente
Débora Salles








