Terça-feira, 22/09/26

Dino diz que deve liberar julgamento sobre emendas parlamentares após eleições

Dino diz que deve liberar julgamento sobre emendas parlamentares após eleições
Dino diz que deve liberar julgamento sobre emendas parlamentares após – Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino disse nesta terça-feira, 22, que deve liberar depois das eleições o julgamento de ações que discutem a impositividade das emendas parlamentares. Em audiência pública realizada na Corte, Dino afirmou que os processos já estão prontos para julgamento, mas que seria “desleal” se o Supremo julgasse um “tema tão tormentoso” a poucos dias das eleições.

“Nós encerramos o que poderíamos chamar de ‘instrução’ para podermos, a critério da Presidência do Tribunal, deliberar sobre o assunto – até porque temos uma questão temporal que favorece a questão, qual seja, o encerramento de uma Legislatura e começo de outra, momento adequado para essa transição”, afirmou o Dino

O ministro acrescentou: “Só não faria em período eleitoral, porque seria desleal com o Congresso. Se eu pautasse isso faltando 15 dias para a eleição, seria uma atitude desrespeitosa que eu não cometo em relação a outro Poder. Passada a eleição, é o momento adequado para que o Supremo possa exercer a jurisdição “

Dino ainda avaliou que o tema das emendas é “antigo” e há um “profundo enraizamento social, econômico e político institucional e eleitoral” em relação aos repasses.

Segundo o ministro, a discussão é “multifacetada” e demanda diálogo.

A declaração de Dino acontecu no mesmo dia no qual o Supremo realiza audiência pública sobre a responsabilização de parlamentares em caso de irregularidades na execução de emendas. A audiência foi marcada no âmbito de ação movida pelo Solidariedade.

Há outras três ações relatadas por Dino que discutem a impositividade das emendas, ou seja, a regra que obriga o Executivo a pagar as transferências. Entre elas estão as “emendas Pix”.

Elas foram movidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), PSOL e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

A obrigatoriedade de execução das emendas, que registraram uma explosão na última década, tem enfraquecido o poder do governo federal de negociar a sua agenda no Congresso.

Além do impacto na governabilidade, as emendas comprometem uma parcela expressiva do Orçamento: cerca de 25% de todas as despesas discricionárias da União (investimentos e custeio flexível do governo) têm sua aplicação definida diretamente pelos parlamentares, somando R$ 61 bilhões em 2026.

T LB

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