Sexta-feira, 25/09/26

Dia Nacional do Trânsito: DF chega à data com 124 sinistros fatais registrados em 2026

semafaros df transito
Dia Nacional do Trânsito: DF chega à data com 124 – Reprodução

O dia 25 de setembro marca, em todo o país, o Dia Nacional do Trânsito. A escolha da data está relacionada à criação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), regulamentado em 23 de setembro de 1997 e promulgado dois dias depois. A celebração surgiu como forma de reforçar campanhas de conscientização e o respeito às normas criadas para tornar mais segura a circulação de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Quase três décadas depois, a segurança nas vias continua no centro da discussão. No Distrito Federal, 124 sinistros fatais foram registrados entre janeiro e julho de 2026, contra 146 no mesmo período do ano passado. Em todo o ano de 2025, foram 258 ocorrências fatais, segundo o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). 

Entre os principais fatores de risco identificados pelo órgão estão falta de atenção ou distração, consumo de álcool e excesso de velocidade. Este último lidera as infrações: em 2025, foram 1.994.830 registros de veículos acima do limite permitido. Outros 278.261 flagrantes foram por circulação em faixas exclusivas e 222.658 por estacionamento irregular. Entre janeiro e junho deste ano, o excesso de velocidade já havia gerado 893.950 infrações.

A estudante Ana Luíza Vieira, de 20 anos, conhece essa realidade no trajeto entre Ceilândia e o Plano Piloto. A coincidência é que ela comemora o aniversário justamente no Dia Nacional do Trânsito. Na semana passada, presenciou uma colisão durante uma troca de faixa que também atingiu uma motociclista.

“Alta velocidade, essa questão também de querer chegar em um local logo. Então sai cortando outras pessoas, indo pelo acostamento, às vezes não respeita o sinal, não dá seta também”, relata. Para Ana Luíza, problemas de sinalização se somam ao comportamento dos condutores. “Muita gente é estressada, qualquer coisinha arruma briga e eu acho que isso são situações que precisam ser melhoradas.”

Motociclistas no centro do alerta

Entre os grupos mais expostos estão os motociclistas. Segundo o Detran-DF Dos 258 sinistros fatais registrados em 2025, 105 envolveram motos. De janeiro a julho deste ano, foram 50, ante 65 no mesmo período de 2025, redução de 23,1%.

Para Alessandro Sorriso, presidente da Associação dos Motoboys Autônomos e Entregadores do Distrito Federal (AMAE-DF), as condições de trabalho também entram nessa discussão. Ele aponta a pressão por rapidez nas entregas, além dos riscos relacionados à velocidade, mudanças de faixa e condições das vias.

“Falta educação de ambas as partes: dos motociclistas, para saberem se posicionar corretamente e não ficarem ocultos nos pontos cegos dos carros; e dos motoristas, para respeitarem o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), dando seta, respeitando a distância e concedendo espaço no corredor”, afirma.

A disputa por espaço

Quem circula a pé também encontra obstáculos. Fernanda Brigato, de 21 anos, sai diariamente de Samambaia em direção ao Plano Piloto e relata falta de faixas de pedestres e grandes distâncias entre passarelas. “Às vezes, não tem por onde passar se eu quero chegar num lugar mais perto”, conta. Ela também cita a falta de rampas para pessoas com mobilidade reduzida.

Entre ciclistas, os problemas se repetem. Eduardo Guimarães, presidente da Associação dos Ciclistas e coordenador de grupo de pedal, aponta a falta de ciclovias ligando regiões administrativas e a descontinuidade da estrutura existente. BR-020, BR-040, BR-070, Eixão, EPTG, Estrutural, EPNB e Parque Contorno estão entre as vias consideradas mais perigosas pelo representante.

“Nessas vias a velocidade permitida já é alta, e os motoristas constantemente trafegam com velocidade acima do permitido. Aliado a isso está a falta de estrutura cicloviária, o que obriga o ciclista a dividir espaço com os carros”, afirma.

Onde o risco se concentra

Os registros oficiais mostram onde parte desse risco se concentra. Em 2025, a DF-001 teve 17 sinistros fatais, maior número entre as vias informadas pelo Detran-DF, seguida pela BR-020, com 11, e BR-060, com dez. Dados preliminares. 

Para o especialista em mobilidade urbana Paique Santarém, doutor em Arquitetura e Urbanismo, olhar apenas para decisões individuais dos condutores é insuficiente. Ele relaciona a segurança viária também ao desenho da cidade, às longas distâncias percorridas diariamente e à infraestrutura destinada aos diferentes meios de transporte.

Na avaliação de Santarém, redução de velocidade, ampliação e fiscalização das ciclofaixas, melhorias na infraestrutura para pedestres e ciclistas e investimento no transporte coletivo estão entre as medidas necessárias. Para ele, a participação da população no planejamento da mobilidade também deve ganhar espaço. 

O Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) informa ter investido R$ 1,1 bilhão na melhoria das rodovias distritais entre 2019 e 2025, sendo R$ 525 milhões destinados a infraestrutura viária, mobilidade, acessibilidade e segurança e R$ 582,2 milhões à manutenção.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *