Terça-feira, 29/09/26

Estudo aponta que 13 de 62 candidatos têm plano amplo de saneamento

Estudo aponta que 13 de 62 candidatos têm plano amplo de saneamento
Estudo aponta que 13 de 62 candidatos têm plano amplo – Reprodução

Um levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil com 62 principais candidatos a governos estaduais constatou que apenas 13 deles têm projetos abrangentes para a área de saneamento básico, como abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem.

O estudo analisou os planos de governo daqueles com maior probabilidade de serem eleitos ou disputarem o segundo turno, de acordo com as pesquisas de intenção de voto divulgadas entre 22 de agosto e 4 de setembro. Foram levados em conta quatro eixos dessa política pública, entre eles, planejamento, regionalização e coordenação para universalizar os serviços, viabilizar investimentos e superar gargalos para a universalização e metas tangíveis.

A partir dessa análise foram atribuídos níveis a cada candidato com base no número de eixos abordados em seus planos de governo. Esses níveis vão de ausente, quando o candidato não menciona saneamento em nenhum trecho da proposta, até abrangente, quando a proposta cobre os quatro eixos analisados.

Poucas propostas estruturadas

O Trata Brasil constatou que todos os 62 candidatos abordaram pelo menos um eixo em seu plano, mas, segundo a presidente executiva da organização da sociedade civil, Luana Preto, ainda são poucos aqueles que trazem propostas estruturadas sobre saneamento.

“O que a gente percebeu foi que o tema, ele começa a aparecer, mas que são poucos os candidatos que se comprometem de uma maneira estruturada, ou seja, sabendo o que eles vão fazer para chegar onde precisa chegar, colocando, né, áreas vulneráveis, áreas rurais, colocando de onde vai vir o investimento, colocando a importância do fortalecimento das agências reguladoras, né?! Então, eh, isso ainda é um ponto de atenção, porque não adianta a gente colocar o tema de uma maneira a não, não ter o como chegar lá no, no objetivo final.”

Ela afirma que, entre as propostas específicas, a universalização é o que mais aparece entre os planos dos candidatos. No entanto, as metas tangíveis estão em apenas 26% delas.

“87% dos candidatos falam de universalização, ou seja, têm a questão, né, do marco legal na cabeça, só que apenas 26% colocam metas, né? Então, eu falo de universalização, mas eu não me comprometo com meta. E isso é um problema. Eu falo de universalização, mas eu não falo de regulação, que é um tema muito importante quando a gente olha que as agências reguladoras têm que ser técnicas, têm que ser independentes, têm que ser fortalecidas para cobrar tanto a, a expansão dos serviços quanto a operação eficiente desses serviços.!

A presidente executiva do Trata Brasil reforça que o ideal seriam candidatos comprometidos com o tema, em especial nos estados com indicadores ruins.

“Acre, Maranhão, Amazonas, que são estados com indicadores bastante ruins, onde ainda tem um candidato praticamente não citando o saneamento básico. Esse é outro ponto que a gente chegou à conclusão no estudo, né? O que seria o ideal é que, em estados onde a gente tem um indicador muito ruim de saneamento, a gente deveria ter os, os candidatos comprometidos com o tema, porque faltam sete anos para universalizar o saneamento e se eles não se comprometerem agora, ele coloca em risco o atingimento dessa meta.”

Atualmente, cerca de 33 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada, sem coleta de esgoto. O Trata Brasil é uma organização da sociedade civil de interesse público, voltada para a conscientização da sociedade sobre a importância do saneamento.

*Com colaboração de Vitor Abdala.


T LB

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