A Polícia Militar de São Paulo retoma nesta quarta-feira (30) o processo administrativo que pode levar à expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu sob a acusação de feminicídio e fraude processual na morte da mulher, a soldado Gisele Alves Santana. Uma testemunha indicada pela defesa será ouvida por videoconferência às 11h.
O Conselho de Justificação marcou a audiência, colegiado responsável por avaliar se o oficial reúne condições para permanecer na corporação. A convocação consta de intimação publicada no Diário Oficial do Estado no dia 25, assinada pelo coronel Carlos Alexandre Marques, presidente do grupo.
O documento intima o advogado Eugênio Carlos Balliano Malavasi a participar do ato e informa que uma ausência injustificada resultará na nomeação de um defensor substituto.
O conselho foi instaurado em março por resolução do secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. A instrução do processo começou em abril, com depoimentos de testemunhas. O procedimento administrativo tramita de forma independente da ação criminal.
Rosa Neto está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Gisele, 32, foi morta em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Brás, na região central. Ela deixou uma filha de sete anos, de um relacionamento anterior.
Segundo o Ministério Público, a soldado queria se separar e o marido não aceitava o fim do relacionamento. A Promotoria afirma que o oficial matou a mulher e alterou a cena do crime para simular suicídio.
A defesa nega as acusações e sustenta que Gisele tirou a própria vida. O tenente-coronel afirma que a soldado morreu após ele pedir o divórcio.
Laudos periciais e elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público contestam a versão do réu. A investigação aponta que o oficial teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e modificado o local da morte.
Mensagens extraídas do celular de Rosa Neto também indicam um padrão de controle e violência doméstica, segundo a Promotoria. Em trechos das conversas, ele se autodenominava “macho alfa” e cobrava da mulher o comportamento de uma “fêmea beta”, submissa e obediente.
Três policiais militares amigas de Gisele disseram em depoimento que o réu controlava as redes sociais da soldado, proibia o uso de maquiagem e perfume e a espionava. Elas afirmaram que a vítima planejava a separação após descobrir uma traição.
O tenente-coronel é investigado ainda por suspeita de intimidar policiais que atenderam à ocorrência e subordinadas convocadas para limpar a residência.
A ação criminal por feminicídio e fraude processual tramita na Justiça comum. Em abril, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que cabe ao júri popular julgar o caso. O MP pediu a fixação de indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima.






