Terça-feira, 10/03/26

‘Me chamou de bombrilzinho’, diz mulher que denuncia racismo no Mercado da 74

‘Me chamou de bombrilzinho’, diz mulher que denuncia racismo no Mercado da 74
‘Me chamou de bombrilzinho’, diz mulher que denuncia racismo no Mercado da 74

Gerente relata incidente de crime de racismo em Goiânia

Uma gerente de Igualdade Racial de Goiânia, militante em um coletivo de mulheres negras há mais de 30 anos, relatou ter sido vítima de crime de racismo em um estabelecimento comercial na capital goiana. O incidente ocorreu em um domingo, dia 16 de um mês não especificado, quando a mulher celebrava antecipadamente seu aniversário de 54 anos. Ela afirmou ter sido chamada de “bombrilzinho” por um indivíduo.

A gerente, que atua em uma secretaria municipal, havia reservado uma mesa para a família. Ao retornar de uma área do estabelecimento, conforme seu relato, ela encontrou parte da mesa desocupada. Suas netas, crianças, teriam sido orientadas por um frequentador a se retirar do local.

Detalhes do incidente

Ao tentar dialogar, o indivíduo proferiu um termo ofensivo, mencionando “bombrilzinho”, e teria agredido a mulher com um contato físico na cabeça. Ele teria afirmado que “estava tudo resolvido” e orientado para que ela permanecesse tranquila. A mulher procurou a gerência do estabelecimento, que confirmou o histórico de comportamentos problemáticos do agressor.

Uma nova mesa foi providenciada para o grupo. Posteriormente, segundo relatos, o mesmo indivíduo teria encarado uma das netas da gerente e realizado gestos que configuram injúria racial. Ao final do evento, o agressor teria bloqueado a passagem da gerente, exigindo que ela pedisse licença.

Diante da recusa, pouco depois, ele se aproximou do grupo e, conforme relatos, teria soltado gases em direção a eles. Em seguida, o homem deixou o local rapidamente, evadindo-se antes da chegada das autoridades.

Busca por justiça e legislação sobre crime de racismo

A mulher espera que o incidente resulte em desdobramentos legais, reiterando ser o crime de racismo inafiançável e que atua há décadas no combate a essa prática. O ocorrido impactou a família, resultando na impossibilidade de cumprir compromissos profissionais agendados para o dia 17 de novembro.

As celebrações de aniversário da gerente, que ocorreria em 18 de novembro, foram interrompidas pelo episódio. Ela expressou falta de ânimo para as comemorações e o desejo de permanecer em casa após o ocorrido. A gerente reforça a busca por responsabilização e justiça.

O caso foi registrado na Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e de Intolerância (Deacri). As autoridades buscam identificar o indivíduo, cujo comportamento foi corroborado por câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas. Para mais informações sobre o combate ao racismo, acesse este link.

Tipificação legal

O incidente é tratado conforme o Art. 2°-A da Lei 7.716/1989, que tipifica o crime de racismo. A legislação prevê punição para quem ofender a dignidade ou o decoro de alguém por raça, cor, etnia ou procedência nacional. A pena para este crime é de reclusão de dois a cinco anos e multa, podendo ser aumentada em caso de colaboração de múltiplas pessoas.

Aumento do crime de racismo em Goiás

Em Goiás, o registro de crime de racismo apresentou aumento de 23,45% entre os anos de 2023 e 2024. Dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública 2025, divulgado em 25 de julho, indicam um avanço de 597 para 737 ocorrências. No mesmo período, a injúria racial registrou queda de 8,06%, passando de 620 para 570 casos.

O racismo por homofobia manteve-se estável, com variação de 123 para 124 registros, um aumento de 0,81%. Uma nota técnica do anuário detalha que a legislação referente aos crimes de racismo no Brasil foi modificada em 2023. A alteração incluiu a injúria racial como crime autônomo, diferentemente do status anterior, onde era uma qualificadora da injúria.

Esta mudança impacta a forma como os dados são contabilizados pelas unidades federativas. O Anuário Brasileiro da Segurança Pública 2025 foi publicado em 25 de julho do ano corrente.

Dia da Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, é uma data para reflexão sobre a luta, a resistência e as contribuições da população negra. A escolha da data homenageia Zumbi dos Palmares, figura histórica de resistência à escravização. Em 2023, a data foi oficializada como feriado nacional pela Lei 14.759/2023, sancionada por um presidente da República.

Esta medida visa reforçar o papel fundamental da data na promoção da igualdade racial e no combate ao crime de racismo estrutural.

Por Correio de Santa Maria, com informações do IPEA.

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