Reeleito para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) com o recorde de 92.120 votos, o deputado distrital Max Maciel (PSOL) foi o convidado do programa JBr Entrevista. Durante a sabatina, o parlamentar detalhou os pilares que sustentaram sua expressiva votação nas urnas, atribuindo o resultado a um trabalho contínuo de escuta ativa nas cidades e à construção histórica junto aos movimentos sociais e populares.
Surgido no cenário cultural e social de Ceilândia — cidade onde nasceu, cresceu e reside —, o parlamentar ressaltou que a estrutura de um mandato político deve funcionar como um instrumento a serviço das demandas populares. “A gente tem muito pé no chão de entender que o mandato é meio para tocar as várias lutas: na busca de fiscalizar e melhorar a saúde, o transporte público, a segurança e a educação”, afirmou.
Boné e periferia como identidade
Uma das marcas registradas da atuação política do distrital é o uso contínuo do boné de aba reta — elemento visual que chegou a gerar tentativas de restrição na Casa de Leis. Para o parlamentar, o acessório está longe de ser um mero enfeite: carrega o simbolismo e as vivências da juventude periférica.
“O boné de aba reta é um reflexo de uma parcela da juventude dos anos 90 que sempre teve a cultura urbana como foco. Esse adereço representa uma geração de pessoas que viveu o preconceito estético. Se o Justin Bieber vier aqui de boné, está tudo certo. Mas um jovem negro periférico andar de boné de aba reta cria o padrão suspeito. Ele é apenas um jovem querendo ser jovem na sua estética.”
Ao abordar a forte adesão do eleitorado jovem à sua candidatura, Max explicou que a identificação estética e territorial serve como porta de entrada para que novos eleitores se sintam pertencentes à política institucional, superando o desestímulo histórico vivenciado nas áreas vulneráveis do DF.
“Quando esse jovem vê alguém que mora no mesmo lugar que ele conseguir chegar onde nós chegamos, ele entende que é possível. A periferia é a solução para parte dos problemas. Não tem segredo nem nada mirabolante: é a escuta do território.”
Ampliação do Passe Livre
Presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da CLDF, Max Maciel transformou a pauta da mobilidade em sua principal bandeira legislativa. Segundo o parlamentar, a questão surgiu organicamente durante o projeto de escuta popular “Debatendo nas Cidades”, que evidenciou como a precariedade dos ônibus impacta diretamente o acesso a serviços básicos.
“As pessoas não diziam diretamente ‘é o transporte’, mas, quando fazíamos a sistematização da escuta, percebíamos que o ponto de ligação para não acessar a saúde, a educação ou o emprego era a mobilidade urbana. O transporte público é transversal.”
Autor da indicação que deu origem à gratuidade do transporte público nos fins de semana e feriados no DF, o deputado defende que a medida garantiu o direito à cidade para a população de baixa renda, mas reforça que o sistema exige aprimoramentos contínuos e expansão progressiva.
“No transporte público a gente precisa de uma revolução. O Passe Livre no domingo e feriado já permite que as pessoas circulem, mas é preciso fazer ajustes de linhas onde o sistema é mais estrangulado. É possível avançar de forma escalonada, levando o tarifa zero para os sábados e datas especiais. O transporte é o eixo fundamental e estruturante.”
Novo mandato
Para o novo mandato, além do aprofundamento das discussões sobre a modernização e valorização do Metrô-DF, o parlamentar pretende priorizar a pauta ambiental e o combate às ilhas de calor nas periferias. A meta é viabilizar planos de arborização e parques urbanos para regiões como Pôr do Sol/Sol Nascente, Recanto das Emas, Estrutural e Ceilândia, utilizando recursos de compensações ambientais de órgãos como Ibram e Terracap.
Por fim, o parlamentar destacou a necessidade de o Distrito Federal integrar o planejamento urbano com a Região Metropolitana do Entorno: “Brasília não pode se isolar. Não podemos legislar pensando só no DF quando temos uma massa de mais de 400 mil pessoas que vêm diariamente para cá e dormem na região metropolitana”.








