Quinta-feira, 08/10/26

Grécia chama de volta embaixadora no Brasil após denúncia do JBr

Grécia chama de volta embaixadora no Brasil após denúncia do JBr
Grécia chama de volta embaixadora no Brasil após denúncia do – Reprodução

O Ministério das Relações Exteriores da Grécia convocou de volta ao país europeu a embaixadora Eleni Lianidou, que chegou ao Brasil em 16 janeiro e contra quem pesam denúncias de assédio moral e profissional. A convocação vem logo depois de reportagem do Jornal de Brasília mostrar a revolta de colaboradores que trabalharam com a mulher, que é tida por controladora e preconceituosa, além de alterar funções, horários e códigos de conduta sem consulta ou aviso prévio.

Já em junho, com apenas seis meses de Brasil, a experiente embaixadora – são 35 anos só na diplomacia – foi alvo de denúncia no Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Embaixadas, Consulados e Organismos Internacionais (Sindnações), que também acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT). O Palácio do Itamaraty também tem ciência das movimentações. Naquele mês, o embaixadora da Grécia na Argentina, Efstathios Paizis Paradelis, veio ao país tomar depoimentos de forma oficial.

A vinda do diplomata foi noticiada na imprensa candanga. Pouco depois, com a debandada de funcionários e a continuação das agressões, Paradelis voltou ao país, já em agosto, para a oitiva de Lianidou, mas deu com a cara na porta: de acordo com fontes ouvidas pelo JBr., a embaixadora sequer sentou junto ao colega. Antes, ela já havia disparado e-mail para todas as representações europeias em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo no qual alegava ser vítima de perseguição e afirmava ter medo dos funcionários brasileiros.

Com a convocação para o retorno à Europa, Lianidou se torna uma das diplomatas que menos tempo ficou à frente da missão grega no Brasil. No cálculo que vai até a data da convocação de retorno (o “recall”, no jargão diplomático, que ainda carece de oficialização), foram oito meses e 21 dias. Um de seus antecessores, Kyriakos Amiridis, esteve como embaixador por sete meses e um dia, em 2016, quando foi morto pelo amante de sua esposa, no Rio de Janeiro. Ainda assim, pelos registros diplomáticos helênicos, é a menor permanência de Lianidou num país em 35 anos de diplomacia – tendo a mulher passado por países e organismos chave nas relações internacionais.

Conforme fontes da diplomacia grega, a chefe da Seção Consular da Grécia em São Paulo, Eleni Papagianni, já foi notificado da decisão, que se deu logo após o retorno do chanceler Giorgos Gerapetritis de um encontro que teve com Mauro Vieira, o ministro brasileiro, em Nova Iorque, nos EUA. Há a suspeita que a relação da embaixada Lianidou com os funcionários da embaixada tenha sido um dos temas da conversa. De acordo com essas mesmas fontes, Lianidou voltará a Atenas, capital grega.

“Embaixatriz, não embaixadora”

Uma funcionária que falou com o JBr. estava de licença maternidade quando teve de voltar para ajudar nos preparativos para receber a nova embaixadora, naquele já longínquo 16 de janeiro. Voltou, viu e decidiu: “Eu trabalhei com ela um dia e percebi que ela era louca e me afastei”. “O que eu vivi em 12 horas de trabalho com ela foi suficiente para para ver que não seria não seria possível voltar”, garante.  

O Jornal de Brasília repetiu uma pergunta a todos os funcionários ouvidos para esta reportagem: com tantos afazeres “domésticos”, ligados à zeladoria da embaixada, como a embaixadora lidava com a agenda oficial e com eventos ligados à função que ela foi designada para exercer no Brasil? Uma das fontes, que trabalhou como motorista de Lianidou, confessa que os eventos oficiais – seja com representantes do governo brasileiro, grego ou mesmo com a comunidade grega no país – ocupavam a maior parte da semana em outras gestões; nesta, limitavam-se a, no máximo, três eventos semanais. 

Outra colaboradora, que lidava também com a agenda de compromissos de Lianidou, resume: “Ela era embaixatriz, não embaixadora”. “E no discurso de que ela veio para botar as coisas no eixo, ela negligencia completamente o trabalho diplomático que ela teria que estar fazendo. A gente tem que lembrar que o Brasil e a Grécia têm relações bilaterais há 200 anos”, completa.  

T LB

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