Terça-feira, 03/03/26

Caso Ruy Fontes: Ministério Público de São Paulo denuncia oito por execução de ex-delegado geral

Caso Ruy Fontes: Ministério Público de São Paulo denuncia oito por execução de ex-delegado geral
Caso Ruy Fontes: Ministério Público de São Paulo denuncia oito por execução de ex-delegado geral | Imagem: reprodução

O Ministério Público de São Paulo denunciou oito investigados pelos homicídios do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes. A execução de ex-delegado geral ocorreu em 15 de setembro, na cidade de Praia Grande, localizada na Baixada Santista.

A denúncia foi oferecida na última sexta-feira, dia 21. Este ato conclui a primeira fase das investigações, realizadas por uma força-tarefa da Secretaria de Estado da Segurança, criada logo após a ocorrência.

Inicialmente, havia a suspeita de que a morte teria relação com a função que Fontes ocupou como secretário de Administração de Praia Grande. Contudo, essa tese não foi mencionada pelo Ministério Público.

A Denúncia e a Motivação da Execução de Ex-delegado Geral

A denúncia acatou as conclusões da Polícia Civil sobre a motivação do crime. Conforme o documento, a execução do ex-delegado-geral foi encomendada pela “sintonia geral” de uma facção, identificada como a cúpula do PCC.

A motivação seria uma resposta à atuação de Ruy Ferraz Fontes ao longo de 40 anos na instituição, combatendo a facção. O ex-delegado ingressou na Polícia Civil no início dos anos 1980.

Ele trabalhou por 40 anos em unidades estratégicas, como Denarc, Dope e Deic. No início dos anos 2000, passou a divulgar organogramas da estrutura do PCC e liderou, em 2006, o indiciamento da cúpula da facção, incluindo Marcos Camacho, conhecido como Marcola.

A “sintonia geral” determinou a morte de Ruy Ferraz Fontes desde ao menos 2019. Um relatório policial citado na denúncia revela uma carta manuscrita apreendida naquele ano.

Nesta carta, a liderança da facção “cobra a morte de alguns agentes públicos, dentre eles o doutor Ruy Ferraz Fontes”.

Acusações e Planejamento da Ação

Os suspeitos foram denunciados por homicídio qualificado e duas tentativas de homicídio. Além disso, as acusações incluem porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, favorecimento pessoal e integração a organização criminosa armada.

O planejamento da ação iniciou em março de 2025, com o roubo de veículos, aquisição de armamentos e definição de imóveis para apoio logístico. No dia do crime, os executores emboscaram a vítima na saída da Prefeitura de Praia Grande, efetuando dezenas de disparos com fuzis.

Após a execução, os criminosos atearam fogo em um dos veículos utilizados e se dispersaram. As investigações apontaram que os denunciados utilizaram veículos furtados, imóveis de apoio na Baixada Santista e aplicativos de transporte para viabilizar a ação.

Um dos envolvidos identificados morreu no curso das investigações ao resistir à prisão.

Os Acusados na Execução de Ex-delegado Geral

A denúncia listou os seguintes indivíduos:

  • Felipe Avelino da Silva (Mascherano): furtou o Jeep Renegade usado na ação, escondeu o carro e instalou placas falsas; preso.
  • Flávio Henrique Ferreira de Souza: ligado ao roubo do Jeep Renegade furtado junto com Felipe; está foragido.
  • Luiz Antonio Rodrigues de Miranda: participou do planejamento, usou imóveis de apoio e ajudou a esconder armas após o crime. Está foragido.
  • Dahesly Oliveira Pires: transportou e guardou fuzil, carregadores e munições no dia seguinte ao crime; solta pela Justiça.
  • Willian Silva Marques: cedeu sua casa em Praia Grande como esconderijo e depósito de armas; preso.
  • Paulo Henrique Caetano de Sales: participou da logística e esteve em imóveis usados como base; preso.
  • Cristiano Alves da Silva: atuou na execução e na logística; possui antecedentes por roubo e receptação, preso.
  • Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Fiel/Penélope): apontado como recrutador e organizador do grupo. Integrante do PCC em posição de “disciplina” no Grajaú, com ascendência sobre os demais; preso.

Por Correio de Santa Maria, com informações do Ministério Público de São Paulo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *