Terça-feira, 03/03/26

Nanotecnologia Nacional Promete Elevar o Sabor do Lúpulo na Cerveja

Nanotecnologia Nacional Promete Elevar o Sabor do Lúpulo na Cerveja
Nanotecnologia Nacional Promete Elevar o Sabor do Lúpulo na Cerveja | Imagem: reprodução

A nanotecnologia está sendo aplicada para otimizar o aproveitamento do lúpulo no Brasil, insumo fundamental para a indústria cervejeira artesanal. Pesquisadores, com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), sediado na Unesp de Sorocaba (SP), desenvolveram uma solução que utiliza a extração com fluido supercrítico de CO₂ (SFE-CO₂).

O estudo teve como objetivo aumentar o rendimento de lupulina, o pó rico em alfa-ácidos e óleos essenciais que conferem amargor e aroma à cerveja. A pesquisa foi realizada com o insumo peletizado, fornecido por uma empresa do setor. Os resultados buscam superar desafios logísticos e de competitividade da cadeia produtiva nacional.

A solução representa um impulso para o Brasil, que é o terceiro maior produtor mundial de cerveja, mas ainda depende majoritariamente da importação deste produto. Em 2023, o país produziu aproximadamente 180 toneladas do insumo em 53 hectares cultivados, conforme dados da International Hop Growers Convention (HGC).

A demanda anual de cerveja no Brasil supera 15 bilhões de litros. Desse total, apenas cerca de 41 milhões de litros utilizaram o insumo nacional, enquanto mais de 14 bilhões de litros dependeram de importações em 2024, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A pesquisa reforça a viabilidade e a importância estratégica do cultivo deste produto agrícola no país. Essa iniciativa visa reduzir a dependência externa, fortalecer pequenos e médios produtores, diversificar a agroindústria e criar futuras oportunidades de exportação.

Avanços Tecnológicos na Extração de Lúpulo

Os resultados da pesquisa indicam ganhos de eficiência significativos em comparação com métodos de extração tradicionais. O processo utilizando CO₂ supercrítico atingiu 72% de alfa-ácidos no extrato, em contraste com apenas 9% do método convencional.

Na aplicação cervejeira, a tecnologia proporcionou um aumento de 20% na produção. Este fato valida a viabilidade comercial e a sustentabilidade operacional da técnica, em um mercado onde o quilo do insumo chegou a valores de até US$ 60 em 2025.

A tecnologia SFE-CO₂ gera extratos mais concentrados e de fácil armazenamento. Isso representa uma oportunidade para o cultivo nacional, que busca atender à demanda interna e internacional.

Valor Agregado e Bioeconomia do Lúpulo

O estudo também analisou o material residual, conhecido como ‘gasto’, após o processo de extração primária. Este subproduto demonstrou elevada atividade antioxidante e a presença significativa de carotenoides, flavonoides e compostos fenólicos.

Tais características abrem caminho para o aproveitamento do resíduo como matéria-prima de alto valor agregado para a bioeconomia. Há potencial para uso em setores como cosméticos e nutracêuticos.

A tecnologia de extração supercrítica com CO₂ representa um avanço para otimizar a viabilidade econômica da cadeia do lúpulo no Brasil. Ela fomenta a criação de novos mercados e seus resultados foram publicados na revista científica Springer Nature.

Por Correio de Santa Maria, com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária.

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