Sábado, 10/10/26

Inadimplência cai em setembro, mas famílias comprometem mais renda com dívidas

Inadimplência cai em setembro, mas famílias comprometem mais renda com dívidas
Inadimplência cai em setembro, mas famílias comprometem mais renda com – Reprodução

GABRIELA CECCHIN
FOLHAPRESS


O percentual de famílias brasileiras com dívidas em atraso caiu em setembro, mas o comprometimento da renda com débitos aumentou, segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O levantamento mostra que 29,6% das famílias tinham contas em atraso no mês, ante 29,9% em agosto.

É o menor patamar desde março. O percentual de famílias endividadas -que têm compromissos financeiros, mesmo que estejam pagando em dia- caiu de 82% em agosto, recorde da série histórica, para 81,7% em setembro.

Ao mesmo tempo, o comprometimento médio da renda com dívidas avançou para 29,6%, ante 29,3% em agosto. O tempo médio de atraso também aumentou, chegando a 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024.

Uma família é considerada endividada quando tem compromissos financeiros, como parcelas de compras, empréstimos e faturas de cartão de crédito, mesmo que pague tudo em dia.

A inadimplência ocorre quando há contas vencidas e não pagas. Ou seja, uma família pode ter muitas dívidas sem estar inadimplente, enquanto outra pode deixar de pagar uma conta e entrar no grupo de consumidores com atrasos.

A parcela de famílias que disseram não ter condições de pagar as dívidas em atraso e, portanto, permaneceriam inadimplentes no próximo mês ficou em 12,5%, mesmo nível de agosto.
Também cresceu a parcela de famílias com dívidas atrasadas há mais de 90 dias, que representou 48,9% do total.

Outro indicador desfavorável foi o percentual de famílias que afirmaram ter mais da metade da renda comprometida com dívidas. A proporção chegou a 19,4%, maior nível desde fevereiro, quando atingiu 19,5%.

Ainda, aumentou para 33,8% o percentual de famílias com dívidas há mais de um ano. Prazos mais longos podem reduzir o valor das parcelas mensais, mas mantêm o orçamento comprometido por mais tempo.

O cenário é acompanhado pelo governo federal, que anunciou em setembro uma nova fase do Desenrola Brasil, programa de renegociação de débitos. A iniciativa prevê a compra de carteiras de dívidas inadimplentes para negociar descontos com os consumidores.

A pesquisa também mostra diferenças entre as faixas de renda. Entre as famílias com rendimento mensal de até três salários mínimos, 38,5% tinham dívidas em atraso em setembro. Em agosto, eram 38,8%.

Na faixa de três a cinco salários mínimos, o indicador caiu de 28% para 27,8%. Entre cinco e dez salários mínimos, recuou de 20,3% para 20,2%. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, a inadimplência subiu de 14,9% para 15%.

A proporção de famílias que disseram não ter condições de quitar as dívidas atrasadas no próximo mês também foi maior entre as de menor renda: 18,5%, ante 18,3% em agosto. Na faixa de três a cinco salários mínimos, o percentual caiu de 10,8% para 10,6%.

A CNC afirma que, apesar de dependerem mais do crédito para manter o consumo, as famílias de menor renda foram as que mais reduziram o endividamento no mês. Isso, segundo a entidade, pode contribuir para melhorar a capacidade de pagamento.

Para os próximos meses, a CNC projeta novas reduções na proporção de famílias com contas em atraso no próximo trimestre, acompanhadas de estabilização do endividamento.

A pesquisa é realizada mensalmente desde janeiro de 2010 e reúne informações de aproximadamente 18 mil consumidores em todas as capitais e no Distrito Federal. O levantamento acompanha modalidades como cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, empréstimo pessoal, carnês e financiamentos.


T LB

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