A tecnologia, chamada Direct to Cell, permite que um celular convencional se conecte diretamente a um satélite, sem precisar estar próximo de uma antena de telefonia móvel. Na prática, os satélites funcionam como uma espécie de torre de celular no espaço, levando sinal principalmente a locais onde as redes terrestres não chegam.
Nas primeiras versões, a conexão é voltada a serviços mais simples, como mensagens de texto, emergências e transmissão limitada de dados. Com uma nova geração de satélites, a Starlink pretende aumentar a capacidade do serviço e, no futuro, oferecer conexão 5G diretamente do espaço.
Isso não significa, por enquanto, substituir as redes terrestres nos grandes centros urbanos. Mas abre para a Starlink a possibilidade de chegar diretamente ao usuário de celular sem precisar construir uma rede de antenas com a mesma abrangência das operadoras tradicionais.
Para avançar nessa estratégia, a SpaceX acertou a compra de cerca de US$ 20 bilhões em licenças de espectro da EchoStar nos Estados Unidos. Essas licenças dão direito ao uso de determinadas frequências de transmissão de sinais. As aquisições reduzem a dependência da Starlink de acordos com outras operadoras para oferecer o serviço.
A compra anunciada agora em outubro acrescenta outra peça a esse desenho: 14 MHz na faixa de 800 MHz. São frequências que ajudam a ampliar a cobertura e a levar o sinal para dentro dos edifícios, justamente onde a conexão vinda do céu encontra mais obstáculos.
Para o UBS, o conjunto dessas aquisições muda a escala da discussão nos Estados Unidos. A Starlink passa a ter à disposição frequências que podem ser combinadas à cobertura dos satélites e, eventualmente, a uma rede terrestre.







