Segunda-feira, 12/10/26

Devotos atravessam a madrugada em fila para ver imagem de Aparecida, no interior de SP

Devotos atravessam a madrugada em fila para ver imagem de Aparecida, no interior de SP
Devotos atravessam a madrugada em fila para ver imagem de – Reprodução

Sob chuva, filas para visitar a imagem de Nossa Senhora Aparecida atravessavam o pátio do Santuário Nacional nesta segunda-feira (12), dia da padroeira do Brasil. Entre músicas marianas e orações, devotos de diferentes regiões aguardavam para agradecer e fazer pedidos.

Camisetas com a imagem da santa predominavam no pátio, onde romeiros também carregavam terços, bandeiras e imagens de Nossa Senhora. A cena deu continuidade à peregrinação vista na rodovia Presidente Dutra no domingo (11), quando grupos seguiram a pé até Aparecida para cumprir promessas e agradecer.

As filas cresciam com a chegada de romeiros e caravanas. Havia quem tivesse dormido no local para esperar pela visita. Bebês no colo, crianças, adolescentes e idosos acompanhavam o movimento, inclusive nos trechos fora das tendas, expostos à chuva.

Pelo pátio, grupos rezavam em agradecimento pela viagem. Músicas dedicadas a Maria se misturavam ao Pai-Nosso recitado em voz alta. O acesso que passa aos pés da imagem concentrava a maior fila.

A estudante Maria Júlia Correia Novaes, 20, veio de Maringá (PR). Quando conversou com a reportagem, já esperava havia duas horas para chegar diante da santa.

“Eu acho que pela fé a gente enfrenta qualquer coisa”, disse. Ela não trouxe um pedido específico. A viagem foi para agradecer pelas graças recebidas. Perto da entrada, ainda aguardava o momento de ver a imagem.

Para a aposentada Mariluza de Almeida, 66, a visita aconteceu após um transplante de medula óssea e complicações que a levaram à UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ela conta que o procedimento foi feito com a própria medula, mas as plaquetas demoravam a subir.

Com dificuldade para andar e usando máscara por orientação médica, conseguiu viajar para estar diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Durante a visita, precisou se sentar para descansar.

Moradora do Núcleo Bandeirante (DF), saiu de Brasília no sábado (10) e enfrentou 18 horas de ônibus.

Ficou na casa de uma amiga em Mogi das Cruzes (SP) e acordou de madrugada nesta segunda-feira para seguir ao santuário.

“É a fé, né? É o que nos move”, afirmou. A mãe, já falecida, visitava Aparecida sem conseguir trazê-la. A amiga que a recebeu também havia ido ao santuário quando Almeida estava doente. Desta vez, ela própria pôde fazer a viagem. “Que maravilha estar aqui na casa da mãe.”

O tamanho da fila surpreendeu até quem costuma visitar o santuário. Vanilda Costa Lopes, 36, nasceu na Bahia e mora em São Paulo há 18 anos. Vai a Aparecida a cada quatro ou seis meses e leva a mãe, devota de Nossa Senhora.

Esta foi sua primeira visita em um 12 de outubro. Nas outras ocasiões, conta, levava aproximadamente cinco minutos para chegar à imagem. Nunca havia visto uma fila daquele tamanho. Na avaliação dela, a espera nesta segunda poderia passar de três horas. “Para mim sempre vai valer a pena.”

Além das missas e da visita à imagem, o dia incluiu outros percursos pelo complexo religioso. No velário, os fiéis acendiam velas. O teleférico levava visitantes ao Morro do Cruzeiro, onde faixas de romeiros registravam promessas ao pé da cruz.

Foi um dos passeios escolhidos pelo jornalista Mauro Lúcio, 30, de Viçosa (MG). Ele veio com a mulher e o filho Nicolas. É a primeira visita dos três a Aparecida.

A viagem começou a ser organizada seis meses antes, em um grupo do aplicativo WhatsApp. Os participantes foram pagando aos poucos até chegar o dia da partida.

A família saiu de Viçosa ao meio-dia de domingo (11) e chegou à meia-noite. Dormiu no ônibus e planejava voltar nesta segunda, às 15h. No intervalo, conheceu o santuário e passeou de bondinho.

“A família está toda curtindo o passeio”, disse o jornalista. Depois do teleférico, os três pretendiam entrar na fila para visitar a imagem. Ele já havia visto o tamanho da espera, mas queria completar a primeira visita. “É uma viagem que entra para a história.”

Deitada no chão, a peregrina Daniele Silva, 28, de São José dos Campos (SP), descansava para conseguir enfrentar a fila. Exausta, contou que não conseguiu concluir o percurso a pé e pegou um carro do aplicativo Uber em Roseira (SP) até Aparecida.

Silva aguardava os demais integrantes do grupo para assistir à missa. Disse estar bem, apenas cansada, e precisava recuperar o fôlego antes de continuar.

No pátio, novos grupos continuavam chegando. Entre a chuva, as músicas e as orações, a fila avançava em direção à imagem, com devotos que haviam passado a noite na espera e outros que acabavam de desembarcar.

T LB

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