Sexta-feira, 16/10/26

EUA planejam usar “mae de todas as bombas” contra alvos no Ira

EUA planejam usar “mae de todas as bombas” contra alvos no Ira
EUA planejam usar “mae de todas as bombas” contra alvos – Reprodução

O governo dos Estados Unidos desenvolveu planos de ataque ao Irã que incluem o possível uso da maior bomba não nuclear do arsenal norte-americano, a GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB), conhecida como “mãe de todas as bombas”. Caso o presidente Donald Trump ordene a retomada dos combates, o artefato seria considerado para atingir infraestrutura energética e instalações nucleares iranianas, conforme revelado pela CNN nesta quinta-feira (15/10) e citado por várias fontes do governo.

A possível utilização da bomba de 9,8 toneladas representaria uma escalada notável em um conflito que começou em fevereiro e vive um cessar-fogo tenso desde abril. Os planos militares foram elaborados a pedido de Trump, que ordenou a formulação de novas opções de ataque, voltadas em grande parte para o setor energético do Irã.

Entre os alvos potenciais está a montanha Pickaxe (Kuh-e Kolang), um complexo subterrâneo na região central do Irã onde os EUA e Israel suspeitam que componentes do programa nuclear iraniano estejam armazenados. Autoridades ouvidas pela emissora norte-americana, no entanto, expressam sérias dúvidas sobre a eficácia da MOAB contra alvos fortificados.

A bomba, projetada para detonar antes do impacto e devastar uma área equivalente a nove quarteirões, não possui capacidade de penetração profunda no solo. Por isso, dificilmente destruiria instalações protegidas por camadas de granito, como a da montanha Pickaxe. “A MOAB serve para limpar grandes áreas, mas não para muito mais”, afirmou uma fonte familiarizada com os planos à CNN.

Além das limitações técnicas, há preocupações com a possibilidade de vítimas civis devido ao enorme raio de explosão do artefato. Alguns oficiais e analistas veem seu uso mais como uma ferramenta de impacto psicológico contra o regime de Teerã do que como uma opção militar decisiva. “Se for usada, a MOAB teria efeitos devastadores na área de impacto, mas provavelmente apenas superficialmente”, advertiram fontes.

O debate ocorre em um contexto de forte pressão política interna sobre Trump, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro. A guerra contra o Irã é considerada impopular e tem sido apontada como um fator que prejudica os republicanos nas pesquisas.

Autoridades sugeriram que os ataques com a superbomba poderiam ocorrer antes da retirada formal das tropas norte-americanas da área de responsabilidade do Comando Central dos EUA (Centcom), permitindo ao governo declarar vitória e deslocar o efetivo. Em declarações públicas recentes, Trump adotou um tom otimista, afirmando que o conflito “terminará muito em breve”.

Procurada para comentar, a Casa Branca afirmou que não comenta planos militares sensíveis, mas reiterou que “o presidente Trump mantém todas as opções sobre a mesa para garantir que o Irã nunca possa ter uma arma nuclear”. O Pentágono declarou que se prepara para uma ampla variedade de cenários.

A MOAB foi usada em combate uma única vez, em 2017, durante o primeiro mandato de Trump, contra redes de túneis do grupo Estado Islâmico no Afeganistão.

T LB

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