Por Mariah Mergener
Agência de Notícias CEUB
Neste domingo (25), o segundo turno das eleições começa antes mesmo do primeiro eleitor chegar. A votação ocorre das 8h às 17h, porém o trabalho de quem toca a seção começa antes. Convocados pela Justiça Eleitoral ou através de voluntariado, estes são os cidadãos que atuam como mesários.
É um trabalho que se multiplica pelo país. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o número de seções eleitorais instaladas subiu de 472.028 em 2022 para 499.207 em 2026, alta de 5,8%.
Como funciona a seção
Cada seção é formada por presidente, primeiro mesário, segundo mesário e secretário.
De acordo com a presidente de seção, Sylvia Felix de Sousa, o fluxo funciona da seguinte maneira: o secretário confere o documento do eleitor e organiza a fila, de acordo com as prioridades por lei.
O presidente digita o número no terminal. Depois, o mesário localiza o nome no caderno de votação e colhe a biometria.
Quem responde pela seção é a pessoas que está na presidência. Ela monta a seção, assina os documentos, recebe e devolve a urna e decide como agir diante de um problema, inclusive quando há a necessidade de acionar força policial.
“Ao longo do dia todos podem exercer todas as atividades”, afirma Sylvia. Para outro presidente de seção, Edson Pedro de Oliveira Santos, a jornada longa e cansativa faz com que todos acabem assumindo um pouco de tudo.
Neutralidade
A regra mais repetida é a neutralidade.
“O mesário é proibido de falar qualquer número de candidato ou coligação. Assim como vestir algo que remeta a algum candidato ou se expressar a respeito de algum candidato durante toda votação. Deve se manter neutro e isento”, informa Sylvia
Caso o eleitor esqueça o número, a orientação é clara: consultar a lista de candidatos disponibilizada no colégio eleitoral. Antes mesmo do cidadão se dirigir à urna. Na fila, a equipe já pergunta se a pessoa tem uma “colinha”. Caso não, ela é orientada a buscá-los antes de entrar.
Prioridades e acessibilidade
O acompanhante dentro da cabine precisa seguir as regras. Pessoas com mobilidade reduzida ou deficiências que necessitam de auxílio dão direito a um acompanhante. Este deverá ser indicado pelo eleitor. Ela não pode estar a serviço da Justiça eleitoral, nem candidata e nem fiscal. É anotado em ata o nome do votante e do acompanhante com CPF.
De acordo com dados do TSE, são 1.970.165 pessoas com deficiência aptas a votar, 42% a mais do que em 2022.
Ainda que a urna conte com recursos como sistema de áudio com fone de ouvido destacável, teclado em braile e os mesários recebem orientações de atendimento a essas pessoas durante o treinamento geral, muitos colégios eleitorais não são 100% acessíveis em questão estrutural.
O presidente da seção Edson Pedro de Oliveira, educador social, comenta ter presenciado uma situação marcante envolvendo a acessibilidade dos eleitores.
“Neste pleito uma senhora idosa, com problemas de mobilidade graves, mas que diante de todas as dificuldades não abriu mão do seu direito de escolha, a importância do ato de votar”, comenta Edson.
Zerésima e boletim de urna
Ao início da votação emite-se um boletim de urna chamado zerésima onde deve constar que a urna começou o dia sem nenhum voto registrado. Caso presentes, os mesários convidam os fiscais do partido para participar da emissão e fixam uma cópia na entrada da seção.
Os mesários não possuem nenhum acesso aos votos individuais. “Não sabemos quem votou em quem”, diz Sylvia.
O que a equipe vê é o boletim de urna, impresso no fim da votação, com o total de votos de cada candidato naquela seção. A urna emite no mínimo cinco cópias, assinadas por mesários e fiscais.
O boletim não é segredo da mesa. É um documento público. Partidos e imprensa recebem cópia dos arquivos. Com o QR code, o eleitor pode comparar o resultado da urna com os dados divulgados pelo aplicativo Boletim na Mão. Edson conta que o último eleitor é convidado a acompanhar a emissão.








