O paquistanês Sami ur Rahman, apontado como líder de uma organização criminosa transnacional especializada no contrabando de migrantes, estabeleceu-se em uma região administrativa do Distrito Federal. Ele comandava uma rota clandestina que começava em Brasília e terminava na fronteira dos Estados Unidos.
As operações de contrabando internacional eram encobertas pela identidade de suposto empresário no DF. O paquistanês abriu uma empresa no ramo de agência de viagens, com endereço na QR 502 de Samambaia Sul, que supostamente serviria de fachada para suas atividades ilegais.
Conforme informações disponíveis na Receita Federal, a empresa iniciou as atividades em março de 2018, com capital social de R$ 50 mil. A atividade principal do negócio constava como agência de viagem, tendo como secundárias restaurantes e similares, além de serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores.
A suposta agência consta como inapta desde fevereiro de 2021, devido à omissão de declarações. Não há confirmação de que o estabelecimento chegou a funcionar.
Em agosto de 2019, Sami abriu outra empresa, com nome fantasia Rahman Lava Jato. O endereço do estabelecimento está registrado na QS 612 de Samambaia Norte.
Tendo como atividade principal serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores, o negócio foi aberto com um valor investido de R$ 100 mil. Apesar de constar com CNPJ ativo, no endereço em que a empresa foi registrada não funciona nenhum lava-jato.
Tráfico internacional e corrupção
O paquistanês está no Brasil desde 2013, onde entrou por São Paulo, e solicitou refúgio no país. Posteriormente, ele passou a viver em Brasília.
Em 2015, Sami ur foi preso em flagrante, no Porto do Pecém (CE), por tentativa de suborno de R$ 20 mil a um funcionário do terminal portuário, visando a facilitação do embarque clandestino.
Sami estava acompanhado de um brasileiro e outros quatro paquistaneses. Eles queriam embarcar em um navio que tinha como destino Nova Iorque, nos Estados Unidos. O grupo almejava chegar no Canadá.
Tal episódio foi objeto de ação penal em que o paquistanês foi condenado à pena de 3 anos e 9 meses de reclusão convertida em penas restritivas de direitos, por tráfico internacional e corrupção ativa.
Líder de rota ilegal
As investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que o paquistanês liderava uma organização criminosa transnacional especializada no contrabando de migrantes, com núcleo operacional no Distrito Federal, e conexões em países como Paquistão, Afeganistão, México e Estados Unidos.
Sami seria o responsável por coordenar a entrada clandestina de migrantes oriundos do Sul da Ásia nos EUA, utilizando o território brasileiro como rota de passagem.
Constatou-se que o paquistanês atuava de forma reiterada e estruturada na facilitação da migração ilegal, sendo reconhecido por diversas vítimas e cooperadores internacionais, tendo envolvimento direto no recrutamento, logística, financiamento e falsificação de documentos migratórios, inclusive por meio de interlocução com diplomatas estrangeiros.
Há ainda menção a outros integrantes da organização, apontados como elo com emissários estrangeiros e responsáveis pelas negociações de vistos falsos.
Prisão temporária
A PF deflagrou, na quarta-feira (19/11), a Operação Rota Ilegal, com o objetivo de desarticular a organização criminosa liderada pelo paquistanês. A ação ocorreu exclusivamente no Distrito Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão, bloqueio e sequestro de bens, além da prisão temporária de Sami ur Rahman.
O paquistanês foi preso em Samambaia Sul, na residência da namorada. Ele passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida pela 10ª Vara Federal.
Também foi autorizado o bloqueio de R$ 5,94 milhões em ativos, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos, embarcações, aeronaves e criptoativos, atribuídos ao esquema.
A PF calcula que o grupo movimentou ao menos US$ 1,1 milhão (aproximadamente R$ 5,94 milhões) em cinco anos, sem contar ganhos paralelos obtidos com venda de documentos falsos, orientações pagas online e monetização de canais digitais voltados para migrantes interessados em chegar aos EUA.
O paquistanês Sami ur Rahman foi apontado como líder de uma organização criminosa transnacional especializada no contrabando de migrantes.







