Terça-feira, 27/10/26

Brasil tem 63,9 milhões de pessoas sem educação básica completa, aponta levantamento

Brasil tem 63,9 milhões de pessoas sem educação básica completa, aponta levantamento
Brasil tem 63,9 milhões de pessoas sem educação básica completa, – Reprodução

O Brasil tem 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que pararam de estudar sem ter concluído a educação básica, o equivalente a 37,3% da população nessa faixa etária.

A EJA (Educação de Jovens e Adultos), principal modalidade destinada a quem não terminou os estudos na idade esperada, atende 1,5% desse público potencial, aponta levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva.

Pessoas pretas e pardas representam 63,9% do grupo e correspondem a 76,8% dos matriculados na modalidade no geral da população, esses dois segmentos são 55,5% dos brasileiros, segundo o Censo de 2022.

O relatório “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas” foi elaborado pelas fundações Roberto Marinho, Bradesco, Itaú e Arymax, com cooperação da Unesco e parceria técnica do Iesp-Uerj (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

O diagnóstico reúne dados da Pnad Contínua de 2025, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Censo Escolar de 2024 e do Censo Demográfico de 2022.

O contingente sem educação básica completa diminuiu 16% de 2012 a 2025.

Segundo o levantamento, a maior parte dessa redução (51%) se explica pela morte de pessoas mais velhas que não tiveram acesso à escola no passado.

O restante da redução é de quem consegiu concluir seus estudos em alguma modalidade, seja por meio do ensino regular (23%), do EJA (8%) ou de outra forma (17%).

Para a superintendente do Itaú Educação e Trabalho e uma das responsáveis pelo levantamento, Silvana Oliveira, os números indicam a necessidade do país repensar a forma de ensino para essa população.
“Não basta abrir mais vagas. A escola precisa caber na vida do estudante. É necessário oferecer currículos flexíveis, diferentes formatos de organização, horários compatíveis com a jornada de trabalho e políticas de permanência”, afirma.

A baixa escolaridade também está associada a desvantagens no mercado de trabalho e no rendimento, diz o levantamento. A renda domiciliar mensal por pessoa do grupo fora da escola sem educação básica completa é de R$ 1.427, equivalente a 51,4% da registrada entre quem concluiu essa etapa, de R$ 2.777.

A taxa de pobreza é 1,8 vez maior no primeiro grupo. Entre os ocupados sem ensino fundamental completo, 38,4% são empregados formais, ante 65% daqueles com ensino médio completo.

Em uma simulação que considera a conclusão da educação básica por 32,5 milhões de pessoas, aproximadamente metade do público potencial da EJA, os pesquisadores estimam um ganho nos rendimentos do trabalho de R$ 66 bilhões por ano, equivalente a 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto).

Desse total, R$ 43 bilhões viriam do aumento na remuneração de quem já trabalha e R$ 23 bilhões, da entrada de pessoas no mercado.

Entre homens que não concluíram os anos iniciais do fundamental, 48,4% têm 60 anos ou mais. Entre mulheres na mesma situação, a proporção chega a 61,2%. Já no grupo com ensino médio incompleto, a maior concentração está entre adultos de 30 a 49 anos.

As razões para o abandono e as barreiras ao retorno também diferem entre os gêneros.

Entre homens de 15 a 29 anos, 53,9% apontaram o trabalho como motivo para deixar a escola e 61,7% o citaram como obstáculo para voltar. Entre mulheres da mesma faixa etária, 34,9% associaram a dificuldade de retorno às responsabilidades familiares. A gravidez foi apontada como motivo do abandono por 22,9%.

T LB

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