Terça-feira, 27/10/26

por que o Brasil não consegue viver sem ela

por que o Brasil não consegue viver sem ela
por que o Brasil não consegue viver sem ela – Reprodução

Isso não aconteceu por acaso. Durante anos, as operadoras de celular do Brasil ofereceram o WhatsApp e outras redes da Meta sem descontar da franquia de dados, o chamado “zero rating”. O resultado todo mundo conhece: em lugar remoto, o navegador às vezes não abre, mas o “zap” funciona. Uma dependência fabricada, tijolo por tijolo.

Já em 2015, o Facebook montou um laboratório em Heliópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, para treinar pequenos empreendedores, gente que já usava o Facebook e o Messenger para vender, numa espécie de gambiarra genial. A empresa não entrou na vida do brasileiro: ela virou o chão sobre o qual essa vida acontece.

Desde 2024, o Google Ads, solução de publicidade do próprio Google, não permite anúncios políticos no Brasil. Isso catapultou ainda mais a Meta no centro político destas eleições: segundo dados abertos do TSE, os políticos declararam ao menos R$288,7 milhões em pagamentos diretos à empresa, mais que o dobro dos R$129 milhões de 2022. Ainda falta computar os números do segundo turno.

Quando uma única companhia acumula esse tipo de monopólio sobre a conversa, o comércio e a política de um país, qual é a saída? Banir os aplicativos e nacionalizar a comunicação, como fez a China? Criar um “WhatsApp estatal”, que ninguém vai querer usar?

O debate sobre a regulação das big techs nunca foi tão urgente, e nunca tão difícil, pois vivemos um momento em que os donos dessas empresas sentam na mesa com Trump e assumem, abertamente, que vão peitar os países que, na visão delas, “não têm liberdade de expressão”.

Foi o próprio Zuckerberg quem, em janeiro de 2025, ao anunciar o fim da checagem de fatos no Facebook, acusou países latino-americanos de terem ‘tribunais secretos; que mandam derrubar publicações ‘silenciosamente”‘ No Brasil, a fala soou como um recado indireto ao STF.

Vale lembrar que a dobradinha Meta mais interferência eleitoral não é novidade. Em 2018, explodiu o escândalo da Cambridge Analytica, quando dados de até 87 milhões de usuários do Facebook foram coletados indevidamente para mirar propaganda política.

A empresa havia sido contratada pela campanha de Trump para sua primeira eleição presidencial EUA, e também pelo grupo que promovia o Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia). Ambos venceram.

A Cambridge Analytica faliu, enquanto o Facebook fez o rebranding para a Meta e pagou uma série de multas: US$5 bilhões da FTC em 2019 e US$725 milhões num acordo de 2022. Depois, cerca de US$17 bilhões num acordo sobre segurança infantil em agosto de 2026. Recentemente recebeu uma condenação de US$25 bilhões no estado americano do Novo México.

T LB

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