O governo dos Estados Unidos proibiu as importações de três empresas chinesas de genômica devido a acusações de que coletaram material genético utilizado para rastrear minorias étnicas perseguidas na região de Xinjiang.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que BGI Genomics, MGI Tech e Shenzhen BGI Technology, também conhecida como BGI Group, foram incluídas na Lista de Entidades da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado contra os uigures, um grupo étnico muçulmano que vive no noroeste da China.
A lista identifica as entidades que colaboram com o governo de Xinjiang “para recrutar, transportar, transferir, abrigar ou receber mão de obra forçada ou uigures, cazaques, quirguizes ou membros de outros grupos perseguidos”.
A ONU alertou em 2022 sobre possíveis crimes contra a humanidade na região, incluindo a detenção de mais de um milhão de uigures e de membros de outras comunidades muçulmanas minoritárias em campos.
Pequim nega as acusações de abusos contra os direitos humanos do grupo.
Segundo o DHS, as empresas “ajudaram a coletar material genético usado para rastrear minorias étnicas perseguidas, incluindo pessoas submetidas a trabalho forçado”.
A China afirmou nesta quinta-feira que “condena de modo veemente” a proibição de Washington, que “carece de fundamento factual”.
“A parte americana continua explorando o tema dos ‘direitos humanos’, utilizando-o como pretexto para praticar protecionismo unilateral e intimidação”, declarou um porta-voz do Ministério do Comércio em um comunicado.
A China instou o governo dos Estados Unidos a “cessar imediatamente sua manipulação política e as campanhas de difamação” e prometeu tomar as medidas necessárias para salvaguardar seus interesses.
BGI e MGI negaram as acusações e afirmaram que se opõem a qualquer forma de trabalho forçado.
O governo do presidente americano Donald Trump propôs, na semana passada, novas normas para restringir o investimento em empresas chinesas de biotecnologia.
Outras tecnologias que já estão sob escrutínio incluem a inteligência artificial e os chips, segmentos centrais na disputa econômica entre Pequim e Washington.








