Domingo, 01/03/26

a importância da preparação mental no triatlo

Metrópoles Endurance 2° dia de provas - Metrópoles
a importância da preparação mental no triatlo – Reprodução

As inscrições para o evento já estão disponíveis e devem ser realizadas na Bilheteria Digital.


Faça sua inscrição!

Para a psicóloga Karoline Miranda, professora universitária e terapeuta BodyTalk, o desempenho no triatlo vai muito além da força física: passa, sobretudo, pela integração entre corpo, mente e propósito.

Segundo Karoline, o atleta não “tem” um corpo, ele “é” um corpo. Por isso, a preparação mental é o elo que conecta esforço físico à vontade.

“A mente atua como uma bússola que dá sentido ao esforço. Sem uma base emocional sólida, o corpo torna-se apenas uma máquina, e máquinas falham sob pressão”, explica a psicóloga.

Em provas longas, como no triatlo de média e longa distância, o desgaste é muscular. “O emocional também entra em jogo. Medo do que ainda está por vir ou frustração por erros já cometidos podem pesar mais que o cansaço físico. A orientação é acolher a vulnerabilidade. Em vez de lutar contra a exaustão, o atleta deve dialogar com ela e resgatar sua motivação intrínseca”, fala.

1 de 4

Atletas do triatlo na 1ª edição do Metrópoles Endurance

Luis Nova/Especial Metrópoles
@LuisGustavoNova

2 de 4

Atletas competem na prova Triathlon Standard no Metrópoles Endurance

3 de 4

Psicóloga Karoline Miranda, professora universitária e terapeuta BodyTalk

Reprodução/Arquivo pessoal

4 de 4

Os atletas do triatlo chegaram animados para o terceiro dia do Metrópoles Endurance.

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Para a especialista, muitas desistências acontecem primeiro na mente. Quando o atleta perde o sentido da prova, a dor física se torna insuportável. Por outro lado, quando há harmonia emocional, é possível ressignificar o sofrimento como parte do processo de crescimento e superação.

Manter o foco durante horas de competição exige presença plena. Para Karoline, a estratégia é “fatiar” a prova: em vez de pensar nas três horas pela frente, concentrar-se na próxima braçada, na próxima pedalada ou no próximo quilômetro. Uma atleta relatou à psicóloga que, em subidas longas, prefere focar na roda da bicicleta girando — e não em quanto ainda falta para chegar ao topo.

Ansiedade, pensamentos negativos e imprevistos

Antes da largada, técnicas de respiração, sono adequado e alimentação equilibrada ajudam a controlar a ansiedade. A prática da ancoragem — sentir os pés no chão e perceber o ambiente ao redor — reduz pensamentos catastróficos. O nervosismo pode ser reinterpretado como sinal de que aquela prova é importante.

Durante momentos de dor extrema, a orientação não é suprimir pensamentos negativos, mas observá-los. “Eu estou tendo um pensamento de que não vou conseguir, mas eu não sou esse pensamento”, sugere a psicóloga. A autocompaixão substitui o julgamento e preserva energia mental.

Já diante de imprevistos, como um problema mecânico ou uma transição ruim, entra em cena a chamada “flexibilidade existencial”. Ao contrário de lamentar o que saiu do planejado, a pergunta deve ser: “Dada esta nova situação, qual é a melhor escolha que posso fazer agora”, orienta Karoline.

Treino mental deve serdiário

Assim como o físico, o preparo psicológico precisa ser treinado de forma sistemática. Ele acontece nos treinos longos, na escuta interna e na celebração de pequenas conquistas. Práticas como mindfulness, diário emocional de treinos e técnicas integrativas — como o BodyTalk — ajudam o atleta a reconhecer padrões de pensamento e fortalecer o diálogo interno.

A visualização também é uma ferramenta poderosa. O cérebro reage de forma semelhante a experiências reais e intensamente imaginadas. Por isso, a recomendação é visualizar não apenas a vitória, mas também os momentos difíceis — sentindo o cheiro da água, o vento no rosto, o som da torcida — e imaginando-se superando cada desafio com calma e técnica.

Resiliência

Para Karoline, a resiliência nasce quando o atleta encara o treino como um espaço de encontro com a própria força. Cada sessão longa é uma oportunidade de praticar paciência, aceitação e autoconhecimento.

“A resiliência se desenvolve quando encaramos o treino não como um fardo, mas como um espaço de encontro com a nossa própria força. É o conceito de “tornar-se quem se é” através do esforço. Cada treino longo é uma oportunidade de praticar a paciência e a aceitação do processo, construindo uma base interna inabalável para o dia da competição”, diz a profissional.

Metrópoles Endurance

Esta é mais uma competição esportiva realizada pelo Metrópoles. A estreia aconteceu com o Endurance, em disputas de triatlo, aquathlon e natação em águas abertas; em seguida, o Cycling tomou conta das ruas do Eixo Monumental.

Em setembro, foi realizada a Meia Maratona Metrópoles, primeiro evento exclusivamente de corrida. Já o Metrópoles Run aconteceu no dia 21 de dezembro e reuniu competidores de todas as idades. Além do Metrópoles Endurance, em março os competidores também disputarão o Metrópoles Endurance – Corrida.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *