Terça-feira, 10/03/26

A queda da rainha do bitcoin: chinesa encarcerada após mega-apreensão

Divulgação/Metropolitan Police

Uma cidadã chinesa foi condenada a quase 12 anos de prisão em Londres, após ser considerada a mente por trás de uma fraude bilionária ligada a investimentos em Bitcoin. Zhimin Qian, de 47 anos, havia escapado da China após uma fuga audaciosa que a levou através da fronteira com Mianmar em uma motocicleta. A partir daí, utilizando passaportes falsos, viajou pelo sudeste asiático e pela Europa antes de se estabelecer no Reino Unido sob a identidade falsa de Yadi Zhang.

A prisão de Qian ocorreu no contexto da maior apreensão de Bitcoin já realizada pelas autoridades britânicas, um montante atualmente avaliado em US$ 6,4 bilhões. A sentença foi proferida no Tribunal de Southwark, onde Qian se declarou culpada em agosto pelas acusações de posse e transação de propriedade criminosa.

Além de Qian, seu assistente, Seng Hok Ling, de 47 anos, também foi condenado a 4 anos e 11 meses de prisão por seu envolvimento no manuseio de dinheiro ilícito. A promotoria destacou que Zhang desempenhou um papel fundamental na fraude que gerou grande parte dos fundos ilegais, enquanto Ling auxiliava na transferência do dinheiro para contas de criptomoedas. O advogado de Ling argumentou que seu cliente não estava envolvido na fraude original na China e desconhecia o esquema de Qian.

De acordo com os promotores, antes de sua prisão, Qian levava uma vida luxuosa, alugando mansões e planejando se tornar a monarca de uma micronação autoproclamada chamada “Liberland”.

A juíza Sally-Ann Hales, ao proferir a sentença, enfatizou a escala sem precedentes da lavagem de dinheiro e acusou Qian de mentir e conspirar para obter benefícios próprios.

A apreensão dos 61.000 Bitcoins, ocorrida em 2018 durante uma investigação de lavagem de dinheiro, marcou um recorde para a polícia britânica em termos de apreensão de criptomoedas. Uma agência governamental do Reino Unido agora busca restituir os investidores lesados com os Bitcoins apreendidos.

A investigação revelou que Qian estava à frente de uma empresa chinesa de investimentos não licenciada, que captou aproximadamente 40 bilhões de renminbi (US$ 5,6 bilhões) de cerca de 128.000 investidores na China entre 2014 e 2017.

Após a sentença, o advogado de Qian, Roger Sahota, afirmou que sua cliente “aceita sua condenação e os erros que a levaram a ela”, reconhecendo que seus esquemas de investimento eram fraudulentos e enganaram aqueles que confiaram nela.

No Reino Unido, Qian contratou Jian Wen, um ex-funcionário de fast-food, que foi condenado a mais de seis anos de prisão por auxiliá-la na lavagem de dinheiro. Qian teria usado Wen e Ling para alugar imóveis de luxo, comprar joias e propriedades em Dubai, além de realizar compras extravagantes.

Um escritório de advocacia alertou as autoridades sobre uma tentativa de compra de propriedades em Londres utilizando Bitcoins de origem suspeita. Isso levou à apreensão dos 61.000 Bitcoins e à prisão de Wen. Qian, no entanto, permaneceu foragida, residindo em mansões de luxo na Escócia e em York.

A prisão de Qian ocorreu em sua mansão em York, após uma transferência de 8,2 Bitcoins para uma carteira de criptomoedas monitorada pela polícia. Na residência, foram encontrados diversos dispositivos digitais com carteiras contendo criptoativos avaliados em mais de £60 milhões (US$ 79 milhões), além de cerca de £48.000 em dinheiro e joias.

Durante o processo, a promotoria alegou que Qian planejava comprar uma casa grande e vender £200.000 em Bitcoins por mês para custear suas despesas e se tornar a “monarca de Liberland”, uma área disputada entre a Croácia e a Sérvia, na margem ocidental do rio Danúbio. Após sua prisão, Qian recusou-se a responder à maioria das perguntas da polícia, alegando que “sentia que morreria em breve e que era sua última chance de gastar”.

Fonte: www.infomoney.com.br

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