O basquete universitário americano (NCAA) vive um momento de transformação com a era do NIL (direitos de imagem, em tradução livre), que permite aos atletas ganharem milhões em patrocínios e acordos comerciais. Nesse contexto de profissionalização acelerada, surge um caso inédito e polêmico: o jogador da NBA Amari Bailey, de 21 anos, está lutando para retornar ao college basketball após ter disputado 10 jogos na liga profissional.
Bailey, ex-astro da UCLA (onde foi selecionado para o time ideal de calouros da Pac-12 em 2023), foi draftado na segunda rodada pelo Charlotte Hornets em 2023. Ele atuou em 10 partidas pela franquia na temporada 2023-24, antes de ser dispensado e passar pela G League (liga de desenvolvimento da NBA) com afiliadas dos Hornets, Brooklyn Nets e Minnesota Timberwolves.
Agora, o armador contratou um agente e um advogado para brigar pela reativação de sua elegibilidade na NCAA. Se aprovado, Bailey se tornaria o primeiro jogador da história a jogar na NBA em partidas regulares e voltar ao basquete universitário, um movimento que desafia regras tradicionais da entidade.
“Eu aprendi muito profissionalmente, passei por muita coisa. Por que não eu? Não é um stunt, estou falando sério sobre melhorar meu jogo, mudar a percepção sobre mim e mostrar que posso vencer”, disse à imprensa norte-americana.
A tentativa ocorre em um cenário em que a NCAA enfrenta uma “explosão milionária” graças ao NIL: atletas de elite podem faturar milhões em acordos de imagem, superando até os salários iniciais de muitos contratos da segunda rodada da NBA. Casos recentes abriram precedentes, como ex-jogadores da G League e atleta internacionais, que atuaram na Europa, recebendo waivers para jogar na NCAA.
No entanto, a NCAA mantém posição firme: “A NCAA não concedeu e não concederá elegibilidade a jogadores que assinaram contrato com a NBA”, afirmou o vice-presidente sênior de assuntos externos da entidade, Tim Buckley. Bailey precisaria de uma exceção ou vitória judicial para jogar na temporada 2026-27.
Recentemente, ele realizou uma visita oficial à Grand Canyon University, sinalizando interesse em programas que poderiam recebê-lo caso a elegibilidade seja aprovada. O caso expõe brechas no sistema atual: enquanto jogadores que assinam contratos NBA são tradicionalmente inelegíveis, a onda de ações judiciais e mudanças no modelo amador (impulsionadas por decisões como a de Diego Pavia em 2024) tem forçado a NCAA a rever as regras.
Outros exemplos recentes incluem James Nnaji, ex-draftado que assinou com Baylor, e Charles Bediako, que teve elegibilidade negada por um juiz em fevereiro de 2026 após breve permissão para jogar no Alabama.








