Quarta-feira, 04/02/26

BC reforça corte de juros em março, mas não indica magnitude

BC reforça corte de juros em março, mas não indica magnitude
BC reforça corte de juros em março, mas não indica – Reprodução

Brasília, 03 – A magnitude e a duração do ciclo de cortes de juros que deve começar na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 17 de março, estão em aberto e vão depender da divulgação de novos dados. Essa é a principal mensagem da ata da mais recente reunião do colegiado, realizada na semana passada.

“O comitê (Copom) estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa”, diz o texto, publicado ontem.

Na quarta-feira da semana passada, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas informou que tem a intenção de começar a reduzir o nível dos juros no próximo encontro. Economistas do mercado rapidamente se dividiram sobre o tamanho do corte inicial, de 0,25 ou 0,50 ponto porcentual. No mercado, há quem aposte em até 0,75.

“Ao mesmo tempo, de maneira unânime, o comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta, dada a resiliência de fatores que pressionam preços tanto correntes quanto esperados, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho”, destaca a ata.

O documento afirma que a decisão de manter a duração e a magnitude do ciclo de cortes em aberto é compatível com os “sinais mistos” sobre o ritmo de desaceleração da economia brasileira e os seus efeitos sobre a inflação.

O comitê ressaltou que mantém o “compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante”. Explicou, ainda, que a dinâmica da inflação corrente e os sinais mais claros da política monetária tornaram adequada a sinalização de um início de flexibilização monetária.

INCERTEZAS

O colegiado repetiu que o cenário atual segue marcado por elevada incerteza, o que exige cautela na condução da política monetária. “O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros.”

O Copom repetiu as projeções para a inflação acumulada em 12 meses já apresentadas no comunicado da semana passada. Prevê alta de 3,4% para o IPCA em 2026 e de 3,2% no terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante – estimativas acima do centro da meta perseguida pelo BC, de 3%.

Estadão Conteúdo

T LB

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