Segunda-feira, 23/03/26

Biblioteca Nacional cria categoria para crônicas em prêmio literário

Biblioteca Nacional cria categoria para crônicas em prêmio literário
Biblioteca Nacional cria categoria para crônicas em prêmio literário – Reprodução

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), criou a 13ª categoria do Prêmio Literário Biblioteca Nacional, o Prêmio João do Rio, dedicado a crônicas. A premiação, concedida anualmente desde 1994, reconhecerá obras publicadas no Brasil e já estará em vigor a partir deste ano.

Na gestão do presidente da FBN, Marco Lucchesi, iniciada em 2023, foram ampliadas as categorias do prêmio com quatro novas inclusões. As anteriores foram Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli), Ilustração (Prêmio Carybé) e Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen). Lucchesi destacou a importância dessas criações para captar a produção literária brasileira e enriquecer o acervo da instituição.

“Foi justamente para contemplar a história oral, essa grande produção que vai atravessando o país nas terras quilombolas, nas aldeias indígenas e terras ribeirinhas”, explicou Lucchesi sobre o Prêmio Akuli. Ele enfatizou que o Prêmio de Crônica resgata um elemento essencial do modernismo brasileiro, transformando o cotidiano em literatura.

O Prêmio João do Rio homenageia o jornalista e escritor Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, conhecido como João do Rio, nascido em 1881 no Rio de Janeiro e falecido em 1921. Pioneiro da crônica social moderna, ele retratou a boemia e a vida das classes populares, mesclando jornalismo e literatura, apesar de preconceitos por ser negro e homossexual. Tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras em 1910.

Com a nova categoria, o prêmio agora contempla 13 áreas: Conto (Prêmio Clarice Lispector), Crônica (Prêmio João do Rio), Ensaio Literário (Prêmio Mario de Andrade), Ensaio Social (Prêmio Sérgio Buarque de Holanda), Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli), Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen), Ilustração (Prêmio Carybé), Literatura Infantil (Prêmio Sylvia Orthof), Literatura Juvenil (Prêmio Glória Pondé), Poesia (Prêmio Alphonsus de Guimaraens), Projeto Gráfico (Prêmio Aloísio Magalhães), Romance (Prêmio Machado de Assis) e Tradução (Prêmio Paulo Rónai). Cada vencedor receberá R$ 30 mil.

O prêmio reconhece a qualidade intelectual de obras em primeira edição, em língua portuguesa, publicadas no Brasil, incluindo autores independentes com ISBN e Depósito Legal. Não há taxa de inscrição, e o valor é igual para todas as categorias. As inscrições para a edição de 2026 serão abertas no primeiro semestre deste ano, com resultados entre outubro e novembro.

Veronica Lessa, coordenadora do Centro de Cooperação e Difusão da FBN, considerou as novas categorias uma reparação histórica. As obras serão avaliadas por comissões de três julgadores cada, com critérios como qualidade literária, originalidade e contribuição cultural. Os resultados serão divulgados no Diário Oficial da União e no portal da Biblioteca Nacional.

Lessa ressaltou a importância do Depósito Legal, que exige o envio de um exemplar de todas as publicações nacionais à FBN, conforme as Leis 10.994/2004 e 12.192/2010, para preservar a memória bibliográfica do país.

T LB

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