Teve ganas de ir a Brasília, onde foi tratado por deputados da forma mais colonizada possível, um papel vexatório dos que estavam ali para escutá-lo e bajulá-lo. Foi à Capital levando uma pastinha que, segundo ele, continha provas de como nosso futebol é corrupto. O gestor veio nos ensinar a jogar e a administrar esse troço. Veio lá dos Estados Unidos, onde futebol se joga com as mãos, em missão de voluntariado.
Enquanto muitos bajulavam, Lucio de Castro fazia um mergulho em documentos públicos que envolviam Textor e suas empresas. Foi fazer a apuração. Fuçou, leu, registrou pilhas de documentos acumuladas em mais de vinte anos. Os métodos de Textor seriam, segundo os levantamentos de Lucio, assombrosos. Compra e venda de empresas com rolagem de dívidas, demissões, falências, acusação de desvios de verba, fraudes, pirâmides. Nada do que estamos vendo agora pode ser surpresa para quem leu as reportagens.
Agora, na França, essas notícias começam a circular mais largamente.
O Botafogo afunda numa lama para a qual não sabemos se haverá saída rápida. O maravilhoso e estupendo ano de 2024 foi mesmo só aquilo. Times desmontados, dívida dobrada, transfer ban atrás de transfer ban, Nilton Santos às moscas, torcida frustrada. Era mesmo a SAF a saída? Não seria essa uma camisa pesada demais para ser entregue a gestores de métodos duvidosos?
As SAF são uma solução catastrófica para problemas reais. Não se resolve a vida financeira dos clubes entregando camisas que amamos à iniciativa privada. Futebol não pode ser orientado unicamente pelo lucro. Esse jogo não é um negócio. Se os clubes associativos vão mal, a solução não é menos democracia, mas mais democracia. Clube não é propriedade, não é brincadeira de bilionário entediado nem oportunidade para golpe.
Não existe resposta errada para a pergunta a seguir. É mesmo só uma reflexão. Valeu a pena?








