O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou como “banditismo” o aumento nos preços do óleo diesel praticado por postos de combustíveis e distribuidoras nas últimas semanas. Em declaração nesta sexta-feira (20), na saída de um evento na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, Boulos afirmou que se trata de um “crime contra a economia popular”.
Para o ministro, o reajuste não é justificado pela guerra no Oriente Médio, que elevou o barril de petróleo tipo Brent para cerca de US$ 110 (equivalente a R$ 580). Antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, ocorrido em 28 de fevereiro, o preço estava pouco acima de US$ 70. O governo federal, segundo Boulos, zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível para conter impactos na inflação, mas as distribuidoras estão transferindo aumentos especulativos aos consumidores.
A tensão na região, desencadeada pela ofensiva contra o Irã, pode levar a retaliações como ataques a produtores vizinhos e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. O Irã alertou para preços que podem chegar a US$ 200 o barril.
No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 no último sábado (14), mas, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o impacto nas bombas foi suavizado pela desoneração. O governo também propôs aos estados a redução do ICMS sobre o diesel importado.
Boulos anunciou uma reunião para a próxima quarta-feira (25), no Palácio do Planalto, com lideranças de caminhoneiros, que ameaçaram greve devido aos preços elevados. A paralisação foi afastada após assembleia no Porto de Santos na quinta-feira (19), graças a compromissos do governo. “Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias para evitar prejuízos ao povo brasileiro”, relatou o ministro.
Entre as medidas assumidas, destaca-se a atuação enérgica contra a especulação, com operações diárias da Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor. “Já foram operações em 400 postos nas últimas 48 horas, em várias distribuidoras, com lacração, multas e o próximo passo é a prisão de representantes”, descreveu Boulos.
Outra demanda dos caminhoneiros foi atendida pela Medida Provisória 1.343/2026, publicada na quinta-feira (19), que pune transportadoras que descumprem o piso mínimo do frete. Em caso de reincidência, as empresas podem ter o registro de funcionamento cassado. O texto foi negociado com a categoria, já que multas anteriores, que superaram R$ 400 milhões nos últimos três meses, não inibiam as irregularidades.
*Com informações da Agência Brasil








