Sexta-feira, 10/04/26

Brasil atinge menor índice histórico de fome em lares de mulheres negras

Brasil atinge menor índice histórico de fome em lares de mulheres negras
Brasil atinge menor índice histórico de fome em lares de – Reprodução

Neste 8 de Março, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) anunciou o menor índice de insegurança alimentar grave já registrado pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), com destaque para os lares chefiados por mulheres e pessoas negras.

Os índices atingiram os menores patamares históricos nos domicílios liderados por esses grupos. Em lares chefiados por mulheres, a taxa chegou a 3,6%, enquanto nos domicílios chefiados por pessoas negras foi de 4,1%. Já nos lares liderados por mulheres negras, o índice ficou em 4,5%, o menor nível já observado para esse grupo historicamente mais vulnerável.

Esse resultado consolida a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada em julho de 2025 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). A média trienal de 2022/2023/2024 colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou acesso insuficiente à alimentação. De acordo com a Ebia, os domicílios em situação de insegurança alimentar grave recuaram para 3,2% em 2024, o menor índice da série histórica.

Para a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, os dados demonstram o impacto das políticas públicas nos grupos mais vulnerabilizados. “Quando você dá a centralidade para o tema do combate à fome, você coloca ele na sua agenda política, isso vai se convertendo em políticas públicas”, afirmou Burity.

A redução da fome resulta de decisões políticas que priorizaram a geração de emprego e renda, o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação dos recursos para a alimentação escolar e o acesso à alimentação adequada e saudável, articuladas no âmbito do Plano Brasil Sem Fome. A reconstrução do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) a partir de 2023 foi decisiva, com a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) voltando a se reunir regularmente e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) sendo reinstalado.

Além disso, foram aprovados o Plano Brasil Sem Fome, o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e o Plano Nacional de Abastecimento, além de estratégias intersetoriais. “Essa reconstrução institucional não foi apenas formal, ela reorganizou a ação do Estado. O avanço da coordenação interfederativa fortaleceu o diálogo com estados e municípios”, explicou Burity.

O número de municípios que aderiram ao Sisan aumentou de 536 em 2022 para 2.152 em 2026. Dados da Munic 2024 indicam que 51,4% dos municípios possuem Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, 36,3% têm lei municipal específica e 24,5% contam com Caisan.

Para Burity, a queda histórica da insegurança alimentar entre lares chefiados por mulheres negras reforça que políticas públicas bem estruturadas e intersetoriais transformam realidades. “Os números reforçam que o combate à fome está diretamente ligado à inclusão produtiva, à proteção social e à garantia de direitos — agenda que impacta de forma decisiva a vida das mulheres, especialmente das mulheres negras”, concluiu a secretária.

T LB

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