Segunda-feira, 23/02/26

Brasil deve ser o país mais beneficiado pela nova tarifa anunciada pelos EUA

Brasil deve ser o país mais beneficiado pela nova tarifa anunciada pelos EUA
Brasil deve ser o país mais beneficiado pela nova tarifa – Reprodução

A economia brasileira deve ser a mais beneficiada com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump no comércio global. Na sexta-feira, 20, a Suprema Corte decidiu que, segundo a Constituição americana, o poder de estabelecer impostos e tarifas é do Congresso. No sábado, 21, Trump anunciou aumento de novas tarifas globais dos EUA de 10% para 15% após seu revés justiça.

Segundo estudo publicado no sábado pelo Global Trade Alert – órgão independente que monitora em tempo real políticas governamentais que afetam o comércio internacional -, com o novo regime em vigor a tarifa de importação para os produtos brasileiros deve ser reduzida em 13,6 pontos porcentuais.

Na sequência, as economias mais beneficiadas seriam a China (redução de 7,1 pontos porcentuais) e a Índia (queda de 5,6 pontos porcentuais).

Por outro lado, os países que se beneficiavam de uma tarifa mais baixa e que passaram a ser mais afetados pela decisão de Trump são Reino Unido (alta de 2,1 pontos percentuais), Itália (avanço de 1,7 ponto porcentual) e Singapura (alta de 1,1 ponto percentual).

A Global Trade Alert é um órgão independente e que acompanha políticas de comércio global.

O Brasil foi um dos países mais prejudicados pelo tarifaço de Trump. No auge da tensão entre os dois países, o presidente dos EUA chegou a taxar os produtos em 50% – composto pela tarifa recíproca de 10% mais uma sobretaxa de 40%.

Em novembro do ano passado, o governo americano anunciou uma lista de produtos brasileiros que ficaram de fora do tarifaço, mas 20% das exportações brasileiras ao mercado americano ainda permaneciam sujeitas à alíquota.

Em 2025, afetadas pelo tarifaço, as exportações brasileiras para o EUA recuaram 6,6%, somando US$ 37,7 bilhões.

Brasil continua investigado

O governo dos EUA segue apurando o Brasil e a China com base na Seção 301, ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.

Em comunicado, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) afirmou que a administração Trump vai continuar as investigações em curso com base na Seção 301, incluindo aquelas que envolvem o Brasil e a China.

“Se estas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que uma resposta ágil é justificada, tarifas são ferramentas que poderão ser impostas”, diz o comunicado.

Em 2025, os Estados Unidos comunicaram que a apuração abordaria “atos, políticas e práticas do governo brasileiro relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

Entre as medidas que o governo americano considerou prejudiciais ao abrir o expediente, em 2025, estão a propriedade intelectual, existência de tarifas preferenciais para outros países, taxas mais altas para o etanol americano, desmatamento ilegal e até mesmo o Pix.

Sem perda de competitividade

Na manhã deste domingo, 22, o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, avaliou que a decisão da Suprema Corte americana de derrubar as tarifas nos Estados Unidos foi positiva para o Brasil. “Como a alíquota agora é igual para todo mundo, nós não perdemos competitividade”, afirmou a jornalistas durante agenda em Aparecida do Norte (SP).

A queda das tarifas de Donald Trump traz duas vantagens para o País, segundo Alckmin. Para ele, além de acabar com as alíquotas mais altas ao Brasil em relação às de outros países, alguns itens brasileiros tiveram seus impostos zerados. Alckmin citou setores como os de combustível, carne, café, suco de laranja, celulose e aeronáutica.

No setor de aeronaves e peças, Alckmin destacou que a alíquota que era de 10% caiu a zero. Nesse tipo de indústria, o comércio exterior é fundamental, destacou. A competitividade dos produtos brasileiros vai aumentar, na visão do vice-presidente.

“Algumas indústrias, se não exportarem, não sobrevivem. Se você avaliar a Embraer, não tem como ter uma fábrica de avião para vender só para o mercado interno”, disse. Ele enfatizou ainda que a tarifa média praticada pelo Brasil a produtos americanos é de 2,7%.

Em relação às restrições impostas por Trump no âmbito da Seção 232, como as tarifas para aço, alumínio e cobre, Alckmin ponderou que a medida vale para todos os países, então não há desvantagem nas operações comereciais.

Estadão Conteúdo

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *