Uma comitiva do Governo Federal e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) realizou, entre os dias 27 e 29 de janeiro, uma visita técnica ao Chile com o objetivo de fortalecer o diálogo e promover a troca de experiências para a construção de cidades mais sustentáveis, inclusivas e resilientes.
A delegação reuniu representantes dos ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e da FAO. A iniciativa focou no intercâmbio de aprendizados sobre modelos de governança, mecanismos de financiamento ambiental e a integração entre políticas climáticas e sistemas alimentares no contexto urbano.
Durante a missão, a comitiva brasileira conheceu a experiência chilena na formulação e implementação do projeto GEF-8 Cidades Sustentáveis, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e executado com apoio da FAO. O projeto promove infraestruturas verdes e soluções baseadas na natureza para enfrentar desafios ambientais em áreas urbanas.
A atividade foi organizada no âmbito do projeto regional entre o Brasil e a FAO “Sistemas Agroalimentares Urbanos”, do qual o Chile faz parte, representando uma oportunidade para aprofundar a cooperação Sul-Sul na região.
Instituído em 2024 e coordenado pelo MMA, em parceria com o Ministério das Cidades e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o PCVR visa aumentar a qualidade ambiental e a resiliência urbana por meio de governança multinível, soluções baseadas na natureza e tecnologias eficientes, respondendo à emergência global do calor extremo urbano.
O diretor do Departamento de Meio Ambiente Urbano (DMUR) do MMA, Maurício Guerra, avaliou que a visita buscou ampliar parcerias estratégicas entre países da América Latina, com foco em políticas que integrem justiça social, planejamento territorial e enfrentamento às mudanças climáticas. “A agenda reafirma o papel do país na articulação regional para o fortalecimento de cidades mais resilientes, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e às metas globais de ação climática”, afirmou.
Maurício acrescentou que a iniciativa prevê a implementação de sistemas agroflorestais urbanos, aumentando a oferta de alimentos e promovendo a capacidade adaptativa e a resiliência climática nos centros urbanos.
A coordenadora-geral de Promoção da Alimentação Saudável do MDS, Gisele Bortolini, destacou convergências entre as políticas dos dois países. “Compartilhamos a experiência do Alimenta Cidades, uma estratégia que integra sistemas alimentares e clima em nível local, e também aprendemos com a experiência chilena. Foram identificados importantes convergências, especialmente nos processos de formulação e governança, que envolvem múltiplos atores”, disse.
O analista de projetos da ABC/MRE, Riffat Rego Iqbal, afirmou que os países enfrentam desafios semelhantes no contexto urbano. “Compartilhamos desafios relacionados às mudanças climáticas, à redução das desigualdades e ao fortalecimento da resiliência territorial. O intercâmbio contribuiu para a construção conjunta de soluções voltadas a cidades mais justas, sustentáveis e inclusivas”, declarou.
A missão incluiu visitas técnicas a parques urbanos e projetos ambientais em Santiago, onde o grupo conheceu ações de recuperação de áreas degradadas, transformadas em espaços verdes que promovem biodiversidade, segurança alimentar e bem-estar para a população.
A iniciativa reforçou o compromisso do Brasil com a cooperação internacional para promover o desenvolvimento sustentável, fortalecer capacidades institucionais e ampliar o impacto das políticas públicas nos territórios, tanto no país quanto na região.
*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima








