Quarta-feira, 18/03/26

Casa de apoio em Goiânia acolhe mais de 400 pacientes com HIV por ano

Casa de apoio em Goiânia acolhe mais de 400 pacientes com HIV por ano
Casa de apoio em Goiânia acolhe mais de 400 pacientes – Reprodução

SAÚDE E ACOLHIMENTO

Unidade recebe pessoas que viajam até 500 km para consultas. Relatos mostram que, sem o suporte, muitos não conseguiriam continuar tratamento

Assistente Social recebendo um hóspede na Casa de Apoio do Centro Estadual de Atenção Prolongada, em Goiânia (Foto: Divulgação/CEAP-SOL)

Pacientes que percorrem até 500 quilômetros para conseguir atendimento em Goiânia encontram na Casa de Apoio do Centro Estadual de Atenção Prolongada (Ceap-SOL) um suporte decisivo para não abandonar o tratamento contra o HIV. A unidade acolhe mais de 400 pessoas por ano, oferecendo hospedagem gratuita, alimentação e transporte para consultas e exames.

O serviço atende principalmente moradores do interior de Goiás, onde há menos acesso a acompanhamento especializado. “Nosso objetivo é garantir que o paciente consiga se tratar com dignidade. A gente oferece estrutura, mas principalmente segurança para que ele não interrompa o acompanhamento”, explica a gerente operacional da unidade, Bruna Karlla Almeida.

Ao chegar à unidade, o paciente passa por triagem do serviço social, que organiza toda a rotina durante a estadia. São definidos horários, locais de atendimento e o transporte até hospitais e clínicas. Além da hospedagem, a estrutura inclui alimentação diária, acompanhamento de equipe multidisciplinar, apoio psicológico e atividades que ajudam no bem-estar. A casa recebe, em média, 35 pacientes por mês, vindos de diversas regiões do estado.

A importância desse suporte fica ainda mais evidente diante das dificuldades enfrentadas por quem vive com HIV fora dos grandes centros. “Muitos ainda lidam com preconceito, medo de expor o diagnóstico e falta de informação. Em algumas cidades, o acesso ao tratamento é limitado, e isso pode levar ao abandono”, destaca Bruna.

“Sem esse apoio, seria muito difícil continuar”

A realidade é sentida na prática por quem depende do serviço. Marcos Sousa (nome fictício para preservar a identificação), de 60 anos, que vive com HIV há 36 anos e faz tratamento no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) desde 2000, afirma que a casa foi fundamental para manter sua saúde ao longo do tempo.

“Essa casa me acolheu e aqui eu fiz amigos. Antes era muito complicado, não tinha esse suporte. Era difícil vir para Goiânia por causa da locomoção e também não tinha o apoio de profissionais como os do serviço social, psicologia, fisioterapia, enfermagem. Depois que passei a ficar aqui, tudo melhorou. A gente tem alimentação, atendimento, transporte. Não tenho gastos e consigo focar só na minha saúde”, diz.

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Segundo ele, que precisa vir para a capital de três em três meses, o convívio com outros pacientes também faz diferença. “A gente vê histórias de superação, troca experiência. Isso fortalece muito. O tratamento faz toda a diferença, mas para isso a gente precisa conseguir chegar até ele”, destaca Marcos.

Vagas disponíveis

Casa de Apoio do Centro Estadual de Atenção Prolongada, localizada no Jardim Europa, em Goiânia (Foto: Divulgação)

Para a equipe do Ceap-SOL, a casa de apoio funciona como um elo entre o paciente e o sistema de saúde. Porém, a falta de informação ainda é um dos principais desafios. “Muita gente ainda não sabe que pode contar com esse suporte. Por isso, fazemos um trabalho constante de orientação dentro das unidades de saúde”, explica Bruna.

A estrutura atual é considerada suficiente para atender à demanda, inclusive parte dos leitos da Casa de Apoio segue disponível.

Criado em 1995, o Ceap-SOL é referência no atendimento a pessoas que vivem com HIV em Goiás. Além da casa de apoio, a unidade oferece internação de longa permanência e atendimento individualizado.

T LB

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