Terça-feira, 10/03/26

Chile elege presidente em meio à polarização e possível reviravolta

Jeannette Jara e José Antônio Kast | Foto: Divulgação

O Chile se prepara para uma eleição presidencial crucial neste domingo, em um cenário marcado pela polarização e incerteza. A candidata de esquerda, Jeanette Jara, surge como líder nas intenções de voto para o primeiro turno, mas enfrenta um panorama desafiador nas projeções para a segunda etapa da disputa.

Uma pesquisa recente da Atlas Intel aponta para Jara com 32,1% das intenções de voto. Em seguida, José Antonio Kast aparece com 18,1%, seguido por Johannes Kaiser, Evelyn Matthei e Franco Parisi, todos com percentuais relativamente próximos.

Considerando que a eleição conta com oito candidatos, é improvável que o primeiro turno defina o vencedor. A mesma pesquisa indica que Jara seria derrotada em todos os cenários de segundo turno, inclusive contra Kast e Matthei. A pesquisa também revela uma queda na aprovação de Jara em comparação com junho, quando alcançava 38%.

A possibilidade de a candidata mais votada no primeiro turno não vencer a eleição final pode ser atribuída a um padrão observado nos últimos 20 anos, onde nenhum presidente conseguiu eleger um sucessor da mesma linha política desde 2006. Esse padrão sugere um eleitorado hesitante e propenso a punir quem está no poder.

Caso os candidatos de direita confirmem a vantagem no segundo turno, o Chile poderá repetir esse movimento pendular, finalizando o período do governo de Gabriel Boric e abrindo espaço para um novo ciclo conservador. Essa oscilação pode estar relacionada ao afastamento entre partidos e sociedade, além do desgaste acumulado após anos de tensões sociais e processos constitucionais sem sucesso.

Os últimos anos foram marcados por duas tentativas frustradas de reformar a Constituição herdada da ditadura, ambas rejeitadas pela população em 2022 e 2023. Esses episódios ampliaram a percepção de impasse político e contribuíram para a queda de confiança nas instituições, afetando diretamente o governo Boric, que mantém altos índices de rejeição, de acordo com o Centro de Estudios Públicos.

O retorno do voto obrigatório adiciona imprevisibilidade ao pleito, elevando para mais de 15 milhões o número de eleitores aptos a votar. Uma parcela significativa desse grupo demonstra baixa fidelidade partidária, dificultando a previsão de quem avançará com vantagem para a fase decisiva da eleição.

A pesquisa da Atlas Intel entrevistou 3.118 eleitores entre 10 e 14 de novembro, com uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Fonte: www.infomoney.com.br

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